O traumatismo é uma lesão ou um conjunto de lesões localizadas numa determinada região do corpo, provocada por variadas causas e que se manifesta em órgãos internos ou externos.

1. Traumatismo crâneo-encefálico

As causas mais comuns incluem os acidentes de trânsito, lesões desportivas e de trabalho, quedas ou violência física.

Sintomas

A sintomatologia pode não revelar-se logo após o acidente, sendo importantes as primeiras 72 horas após a sua ocorrência.

  • Dor de cabeça
  • Sonolência
  • Diminuição da lucidez
  • Alterações de equilíbrio
  • Alterações do comportamento e da consciência
  • Náuseas
  • Vómitos
  • Hemorragias externas ou internas (saída de sangue pelo nariz ou ouvido)
  • Alteração do diâmetro pupilar (dilatação de uma pupila)
  • Perda de sensibilidade ou paralisia de um dos lados do corpo

Primeiros-socorros

  • Alertar de imediato os serviços de emergência.
  • Avaliar as funções vitais (grau de consciência e ventilação).
  • Realizar um exame à cabeça através de uma palpação completa e rigorosa para pesquisar um traumatismo oculto do crânio ou lesão do couro cabeludo.
  • Cobrir as feridas se existentes. Em caso de hemorragia pelo nariz ou ouvido, estas não devem ser tamponadas.
  • Não dar nada a beber.
  • Vigilância das funções vitais promovendo o transporte para o hospital.

2. Traumatismo vértebro-medular

As causas mais comuns são os acidentes rodoviários, atropelamentos, quedas, desportos radicais, mergulho em águas pouco profundas ou pancadas directas na coluna.

Sintomas

Algumas vítimas, apresentam, imediatamente após a ocorrência, sinais neurológicos evidentes de lesão vértebro-medular tais como diminuição da força muscular, diminuição ou alteração da sensibilidade e impotência funcional, enquanto outras vítimas sofrem apenas lesão da coluna vertebral sem compromisso medular, surgindo a lesão à posteriori como consequência do movimento inadequado.

Primeiros-socorros

  • Alertar de imediato os serviços de emergência.
  • Manter a imobilidade da vítima, garantindo uma imobilização da cabeça até à chegada da ambulância, usando as suas próprias mãos: ajoelhar-se por detrás da cabeça da vítima, fazer deslizar ambas as mãos, com cuidado, sob o pescoço desta sem mover a sua cabeça, apoiar o pescoço da vítima e estabilizar-lhe a cabeça até à chegada dos serviços de emergência).
  • Vigiar as funções vitais.

3. Traumatismo torácico

As causas podem ser resultantes de acidentes rodoviários, quedas (traumatismos fechados), armas de fogo, armas brancas ou objectos penetrantes (traumatismos abertos).

Sintomas

As lesões ao nível do tórax podem ser diversas tais como fractura do esterno, fractura de costelas, lesões pulmonares, paragem  cardio-respiratória. Em termos de sintomatologia, poderá existir dor local, ventilação rápida e superficial, hemorragia.

Em caso de fractura simples de costelas, há queixas de dor forte no local da lesão que se agudiza com a movimentação ou palpação e a vítima refere dificuldade ventilatória.

A fractura de costelas complicada resulta da fractura de uma ou mais costelas em dois locais contíguos, existindo um retalho móvel, provocando um movimento paradoxal, podendo provocar perfuração em órgãos adjacentes.

Primeiros-socorros

Em caso de  fractura de costelas simples: O socorrista deve colocar a vítima em posição de sentado e recostado, tranquilizar e cadenciar a ventilação de forma pausada e profunda.

Em caso de situação de retalho costal móvel: Dado que a dor é mais intensa, o socorrista  deve estabilizar o movimento paradoxal do segmento, usando um rolo de ligadura que deve ser colocado por cima do segmento no momento inspiratório Ou seja na fase de afundamento do segmento, este rolo é fixo com tiras de adesivo e nunca com ligaduras ou faixas de tecido para não comprometer a expansão torácica e limitar a ventilação.

Em caso de traumatismo torácico aberto: Existindo ferida superficial, deve-se colocar um penso, em caso de ferida profunda, deve-se colocar uma compressa em cima do ferimento e impermeabilizar com um plástico fixo com adesivo disposto em janela deixando o bordo inferior livre para funcionar como uma válvula de escape do ar que se acumule no interior do tórax.

Efectuar vigilância apertada das funções vitais e, em caso de paragem cardio-respiratória, iniciar de imediato manobras de Suporte básico de vida (fazer link)

4. Traumatismo abdominal

Resultam de acidentes rodoviários, desportivos, quedas (traumatismos fechados) ou por armas brancas ou de fogo (traumatismos abertos).

Sintomas

As lesões provocadas são variadas desde fractura dos ossos da bacia, rotura de órgãos ocos, fractura de órgãos maciços ou rotura do diafragma com invasão dos órgãos abdominais na caixa torácica.

Em termos de sintomatologia, pode existir dor localizada ou reflexa, contracção da musculatura abdominal generalizada (abdómen em tábua), hemorragia interna ou externa.

Nos traumatismos fechados, na maioria das vezes, torna-se difícil determinar qual o tipo de lesão. O abdómen deve ser inspeccionado, verificando-se se se encontra mole e se existem contusões, feridas penetrantes, lacerações, hematomas e reacções à dor.

A existência de fracturas associadas, como por exemplo, os últimos arcos costais, lesão da coluna lombar e fractura da bacia levam o socorrista a ficar alerta para possíveis fracturas de órgãos maciços (fígado, baço e rim) e perfuração de órgãos ocos (bexiga e intestinos).

A fractura da bacia provoca grande hemorragia interna por perda de grandes quantidades de sangue. São sinais característicos de fractura da bacia, a equimose perineal (nódoa negra na zona delimitada atrás pelo ânus e à frente pela zona genital), dor à palpação e perda de emissão de urina e, nalguns casos, a instabilidade da cintura pélvica.

Primeiros-socorros

O alerta para os serviços de emergência é imprescindível, a chegada atempada ao hospital para intervenção cirúrgica é essencial. O socorrista deverá inspeccionar e palpar o abdómen. Em caso de ferida, deve fazer-se um  penso e  caso haja a presença de objectos penetrantes, estes nunca devem ser removidos mas sim imobilizados.

Em caso de evisceração (saída de vísceras)  a atitude correcta é não mexer e cobrir com compressas humedecidas em soro fisiológico, não dar nada a beber e vigiar funções vitais enquanto se aguarda transporte para o hospital.

Quando procurar ajuda médica

Independentemente do traumatismo apresentado, deverá sempre providenciar-se o transporte ao hospital para exame e observação e despiste de lesões internas.

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

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