Em entrevista à Inforpress, à margem do 1º Simpósio sobre o cancro da mama, realizado hoje, no Mindelo, pela Liga Cabo-verdiana Contra o Cancro (LCCC), Leonardo Barreira afirmou que a função do enfermeiro é mais ampla, uma vez que, ao contrário de qualquer outro grupo profissional, o enfermeiro está presente do início ao fim da doença.

Ou seja, elucidou, desde a apalpação do nódulo, passando pelo diagnóstico até o tratamento, e ainda na orientação, na recuperação ou na fase terminal, caso não for possível a cura.

Por causa deste papel, Leonardo Barreira defendeu que os enfermeiros devem “estar preparados técnica e cientificamente naquilo que lhes compete”, e, sobretudo, devem “aprender mais.”

O mesmo lembrou que na fase terapêutica, cada paciente deve ser considerado como um caso particular que necessita de uma abordagem única. Isto porque, referiu, quando se pensa no tratamento e acompanhamento de uma pessoa que tem cancro de mama deve-se pensar que ela é muito mais do que o cancro que tem.

“Quando falamos de cancro da mama falamos sempre de uma forma errada. Nós devemos falar é de uma mulher que, por acaso, tem um cancro de mama. É isso que é o tratamento. O cancro de mama não existe, existe sim a dona Florentina, a dona Rosa ou a dona Josefa que tem um cancro de mama e esse cancro é único,” clarificou.

Para Leonardo Barreira, o enfermeiro deve ter em atenção os problemas psicológico e social da pessoa, porque é desta forma que se faz um tratamento humanizado.

Traçando um panorama da situação do cancro de mama na região do Barlavento, a ginecologista e mastologista do Hospital Baptista de Sousa (HBS), Teresa Martins, explicou que desde 2013 até 2018 foram evacuadas para Portugal 101 mulheres das ilhas de Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal e Boa Vista.

Segundo a mesma fonte, várias estão bem, porque já têm cinco anos fora do tratamento regular. Outras estão ainda no ambulatório de mastologia, a tomar medicação e a fazer exames regulares.

Conforme Teresa Martins, na região do Barlavento o cancro de mama tem sido “diagnosticado de forma tardia”, principalmente nas ilhas que não têm mamografia disponível, que é a única forma de fazer um diagnóstico precoce.

Os pacientes só chegam ao HBS quando clinicamente conseguirem apalpar os nódulos.

“Desde a paciente ter de procurar o médico até vencer a burocracia para vir para São Vicente, confirmar o diagnóstico, enviar para a Junta de Saúde e esperar que Portugal chame a pessoa é sempre um período em que para a mulher diminui, sem dúvidas, as chances de tratamento a 100 %,” advertiu a especialista.

O 1º Simpósio sobre o cancro da mama, realizado hoje, no Mindelo, está enquadrado nas comemorações do “Outubro Rosa” que vem sendo assinalado com um programa variado da Liga Cabo-verdiana Contra o Cancro (LCCC), iniciado no dia 01 e que prossegue até dia 29.

Como parte dessas actividades acontece no domingo a 10ª caminha rosa que tem por objectivo sensibilizar as pessoas para esta problemática.

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