Tomás Valdez fez essas considerações durante a sua intervenção na cerimónia de abertura da mesa redonda sobre o Dia Mundial de Luta contra o Cancro, que este ano se assinala sob o lema “Estou atento e vou agir”, visando recordar as importantes medidas a serem tomadas enquanto indivíduos, grupos, comunidades e líderes políticos para reduzir o impacto do cancro nas vidas.

Este técnico ao serviço da antena da OMS em Cabo Verde, avançou que o cancro continua a ser uma das principais causas de mortalidade no mundo, sendo que em 2012 houve 14 milhões de novos casos e 8,2 milhões de mortes, tendo esse número aumentado para 18,1 milhões de novos casos e 9,6 milhões de mortes em 2018.

“Se a tendência atual continuar, estima-se que o fardo do cancro em África deverá duplicar de 1.055 172 novos casos de cancro em 2018 para 2. 123 245 casos de cancro até 2040, sendo que os desafios mais importantes que os doentes oncológicos enfrentam no continente tem a ver com a pobreza, o diagnóstico tardio e incorreto, e ainda a falta de cobertura médica”, acrescentou.

Conforme explicou, os principais fatores que fazem aumentar a doença no continente africano estão relacionados com o aumento da exposição dos fatores conhecidos de cancro, tais como o tabagismo, o estilo de vida sedentário, a alimentação desequilibrada, o consumo de álcool, a poluição ambiental e as alterações epidemiológicas que estão presentemente em curso.

Apesar de o cancro estar a aumentar, disse o especialista, os africanos estão hoje a viver mais tempo, devido aos melhoramentos no controlo das causas infecciosas da mortalidade e morbilidade.

A ausência de informação amplamente disponível sobre os sinais e sintomas iniciais da doença, fracos sistemas de encaminhamento, dificuldades de acesso aos cuidados, aos tratamentos e aos medicamentos e os fracos sistemas de saúde, são outros fatores responsáveis pelo elevado fardo do cancro no continente africano.

Segundo Tomás Valdez, a maioria dos doentes oncológicos em África é diagnosticada numa fase tardia e o prognóstico para um resultado positivo é mais reduzido, mesmo nos casos em que o tratamento está disponível e é comportável.

No mundo, apenas 26% dos países de baixos rendimentos indicam ter serviços de patologia no setor público, e apenas 30% destes países têm serviços de tratamento oncológico e 90% dos países de rendimentos elevados disponibilizam este tipo de serviços.

Para a Organização Mundial da Saúde, o diagnóstico do cancro não deverá representar uma sentença de morte nem levar a despesas catastróficas na sequência de pagamentos diretos feitos pelo doente para o diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos.

A OMS exorta todas as partes interessadas sobretudo os governos africanos, seja ao nível local, estadual, provincial, nacional ou supranacional, a criarem um ambiente para que os fatores de risco do cancro, como o consumo de álcool e o tabagismo sejam reduzidos, e os cidadãos a adotarem bons níveis de atividade física, um peso corporal saudável e uma boa alimentação.

Por outro lado, as partes interessadas devem resolver as questões atuais do acesso inadequado aos meios de diagnóstico e terapêuticos, da falta de conhecimentos sobre a doença e os baixos níveis de literacia sanitária, dos materiais inadequados de prevenção, da desconfiança no sistema de saúde e do fatalismo no que toca à cura do cancro.