Um hospital em Milão inaugurou uma exposição composta por radiografias feitas a mulheres atacadas por homens, com o objetivo de alertar para uma realidade que uma médica descreveu com o "horror diário" da violência contra as mulheres.

O Hospital San Carlo Borromeo montou a exposição no átrio principal do seu edifício no Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres (25 de novembro).

As imagens médicas mostram, entre outros casos, uma longa lâmina de faca alojada no abdómen, fraturas nos membros superiores e inferiores, um queixo dividido em dois ou um nariz partido. O anonimato das pacientes foi respeitado.

Na inauguração da exposição, Maria Grazia Vantadori, cirurgiã hospitalar e responsável pela iniciativa, destacou que algumas das mulheres, a princípiom não são consideradas vítimas de violência doméstica. "Frequentemente, as mulheres que chamam os serviços de emergência, sem saber como catalogar o que aconteceu, não dizem imediatamente que sofreram de violência", disse Vantadori.

No entanto, a médica-cirurgiã alerta: "os corpos e ferimentos falam por eles e narram as espirais do horror diário".

Veja as imagens

Embora as mulheres cheguem ensanguentadas às salas de emergência, às vezes cortadas ou com o rosto queimado com ácido, a médica de 59 anos optou por compor a exposição com imagens mais "neutras", como os raios X, porque acredita que são imagens poderosas.

"Queria contribuir com minha experiência nesta área, mas não queria que fosse uma exposição sangrenta. Só queria mostrar algo verdadeiro, real", disse Vantadori à AFP.

"A vantagem dos raios X é que, com eles, somos todos mais ou menos iguais. Os nossos ossos são idênticos e cada um deles pode ser o osso de qualquer mulher", explica.

Durante a sua carreira, a médica disse ter visto "centenas e centenas" de lesões de todos os tipos em mulheres, às vezes muito graves.

Em Itália, 142 mulheres foram mortas por companheiros em 2018, um aumento de 0,7% em relação ao ano anterior, segundo o instituto de pesquisa italiano Eures.

Nos últimos cinco anos, 538.000 mulheres foram vítimas de abuso físico ou sexual por parte dos seus parceiros, segundo o Instituto Italiano de Estatística (Istat).

Até 1981, o código penal italiano estabelecia sentenças de apenas três anos de prisão para homens que matassem mulheres por ciúmes.

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