Apesar de pesar apenas cerca de 15-25 gramas tem uma função muito importante: produz, armazena e liberta duas hormonas para o sangue – T3 (triiodotironina) e a T4 (tiroxina). Estas hormonas atuam ao nível de quase todas as células do organismo e ajudam a controlar o metabolismo.

Ajudam o organismo a utilizar a energia e regulam a temperatura corporal, o crescimento e desenvolvimento intelectual nas crianças e permitem um normal funcionamento do cérebro, músculos, coração e outros órgãos.

Estima-se que cerca de um milhão de portugueses, principalmente mulheres, sofra de alguma forma de doença da tiróide.

Se a produção de hormonas se tornar insuficiente o metabolismo desacelera – hipotiroidismo. Se houver excesso de produção o metabolismo acelera – hipertiroidismo. O hipotiroidismo é cerca de 10 vezes mais frequente que o hipertiroidismo.

Doenças relacionadas com a tiróide

A doença auto-imune da tiroide (Tiroidite de Hashimoto ou Tiroidite auto-imune crónica) é a causa mais frequente de hipotiroidismo em Portugal assim como em outros países em que há um aporte razoável de Iodo. Nesta doença, as defesas do organismo (anti-corpos) deixam de reconhecer a tiroide e atacam-na como se fosse uma entidade estranha.

Desta lesão pode surgir um hipotiroidismo. Apesar de não ser uma doença hereditária tem uma associação familiar frequente. Outras causas de hipotiroidismo são o défice de Iodo, a radiação, a cirurgia, o uso de certos fármacos ou uma malformação congénita – hipotiroidismo congénito.

Os seus sinais e sintomas podem ser inespecíficos. Os que estão mais vezes presentes são: cansaço, maior sensibilidade ao frio, queda de cabelo, pele seca, aumento de peso, edemas, fraqueza muscular, depressão, obstipação, irregularidades menstruais.

O diagnóstico do hipotiroidismo faz-se através do doseamento da TSH (hormona estimuladora da tiróide) e da T4 no sangue. É um doseamento simples e pouco oneroso. O tratamento consiste na toma diária da hormona T4 (levotiroxina). No organismo é convertida em T3. É um tratamento eficaz desde que na dose certa, e geralmente é para toda a vida. A dose de levotiroxina pode ser ajustada com o doseamento da TSH no sangue.

O hipertiroidismo pode também ser de causa auto-imune (Doença de Graves) mas neste caso a glândula é estimulada a produzir hormonas tiroideias em excesso. Outras causas possíveis são o aparecimento de nódulos que produzem autónomamente excesso de hormonas ou a ação de certos fármacos na tiroide.

As pessoas queixam-se de alterações do humor, irritabilidade, agitação, perda inexplicada de peso apesar de maior apetite, tremor, hipersudorese, intolerância ao calor, palpitações, diarreia, irregularidades menstruais, aumento do volume cervical (bócio).

O tratamento inicia-se com a toma de um fármaco anti-tiroideu que reduz a síntese de hormonas pela tiroide. É um tratamento mais complicado que o do hipotiroidismo e a dose do fármaco deve ser titulada periodicamente. Nalguns casos há recidiva da doença e é necessário recorrer a um tratamento mais definitivo como a cirurgia para retirar a glândula ou o tratamento com Iodo Radioactivo (Iodo 131), que limita o seu funcionamento. Após o tratamento definitivo geralmente surge um hipotiroidismo.

O hipertiroidismo pode ser uma situação grave e requer um tratamento imediato por um médico especialista com experiência no tratamento das disfunções da tiroide.

As recomendações são da médica Maria João Oliveira, endocrinologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

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