São muitas as mulheres que, um pouco por todo o mundo, são, em determinado momento, confrontadas com este problema. O prolapsus vaginal é uma condição que resulta da deterioração das estruturas de suporte da vagina, levando à queda de órgãos como o útero, a bexiga ou o reto para o órgão sexual feminino. O processo de envelhecimento é uma das principais causas da perda de suporte pelas estruturas pélvicas da mulher.

Esse processo caracteriza-se pela perda de tónus muscular e pelo estiramento dos ligamentos de suporte. Ao contrário do que muitas mulheres ainda pensam, esta situação não afeta apenas mulheres em processo de menopausa. De acordo com vários estudos internacionais, pelo menos um terço das mulheres poderá vítima deste problema. As que já ultrapassaram a barreira dos 50 anos são as que correm mais riscos.

Porém, segundo Stam Poupalos, médico especialista da clínica 121doc, as que engravidam também são mais propensas. "O parto, devido à excessiva força exercida e aos estiramento de músculos, ligamentos e nervos, o aumento da pressão no abdómen durante a gravidez ou no caso de excesso de peso e a cirurgia ginecológica, podem também levar ao enfraquecimento das estruturas de suporte dos órgãos pélvicos", diz.

Apesar do desconforto que esta condição muitas das vezes provoca, na maioria dos casos não apresenta sintomas, caracterizando-se estes, caso apareçam, por problemas urinários, como dificuldades em urinar e/ou em esvaziar a bexiga por completo, mas também num aumento da frequência urinária e da dificuldade em reter a urina, além da sensação de protrusão na vagina e/ou até de desconforto durante o sexo.

Tipos de prolapsus

Os tipos de prolapso vaginal variam de acordo com o órgão responsável pelo mesmo, afetando diferentes partes da pélvis, apesar de poderem ser afetadas várias partes ao mesmo tempo. Desta forma, o prolapso pode classificar-se como:

- Prolapso anterior

Afeta a parte anterior da pélvis e pode caracterizar-se pelo prolapso da uretra e/ou da bexiga. No caso de se tratar do prolapso da uretra, denomina-se uretrocelo. Se apenas for a bexiga a prolapsar, denomina-se cistocelo e, se forem ambos o órgãos, denomina-se cistouretrocelo, sendo este último o tipo mais comum de prolapso.

- Prolapso posterior

Este tipo pode dever-se ao prolapso do reto na vagina, denominando-se rectocelo. É o terceiro tipo mais comum de prolapso.

- Prolapso médio

Este prolapso pode ser de três tipos, uterino, o segundo tipo mais comum de prolapso, que consiste na queda do útero pelo canal vaginal, o prolapso após a histerectomia e selamento cirúrgico superior do canal vaginal e o prolapso do espaço entre o reto e o útero, denominado enterocelo.

Quando procurar ajuda?

Ainda que a maioria das mulheres não procure ajuda para o tratamento desta condição, esta pode afetar, segundo estimativas de especialistas internacionais, entre 30% a 40% das mulheres durante a sua vida, especialmente depois da menopausa, parto ou histerectomia. A maioria das mulheres afetadas tem mais de 40 anos e, por norma, não procura ajuda médica devido à vergonha que esta condição lhes causa.

Após o exame físico e diagnóstico, podem ser discutidas várias opções de tratamento que podem incluir a colocação de um adesivo vaginal em forma de anel, de silicone ou plástico, permitindo levantar as paredes da vagina e qualquer prolapso que exista nesta parte do aparelho reprodutor feminino. Esta hipótese de tratamento pode permanecer colocada entre 6 a 12 meses, precedendo em muitos casos a cirurgia.

Outras hipóteses de tratamento passam pela aplicação de cremes de estrogénio na vagina para que seja aliviado o desconforto, exercícios pélvicos, que impedem que os casos ligeiros de prolapso se agravem e cirurgia, a última opção de tratamento. Quando deixado por tratar, o prolapso vaginal agrava-se, sendo que o prognóstico é melhor em mulheres mais jovens e com um peso normal. Mesmo após a cirurgia, o prolapso pode reincidir em 16 em cada 100 mulheres.

Alguns especialistas defendem ainda o recurso a próteses vaginais para resolver o problema. Em novembro de 2018, François Haab, um cirurgião francês sediado em Paris, alertou, no entanto, para as limitações destes dispositivos. "São, por norma, reservadas para as situações mais complexas [como as recidivas] quando os próprios tecidos da pele estão demasiado frágeis para uma reparação [cirúrgica]", sublinha.