Júlio Rodrigues, que falava à Inforpress, no âmbito do Dia Mundial das Hepatites Virais, celebrado hoje, sob o lema “Futuro Livre de Hepatites”, disse que o relatório estatístico de 2013 a esta parte indica cerca de 1,7 infecções por cada 10 mil habitantes com um pico de até sete infecções por cada 10 mil habitantes.

Segundo este responsável, um dos problemas para o enfrentamento das hepatites virais tem a ver com os dados, e apesar de Cabo Verde ter um sistema de saúde melhor a nível desta sub-região, os números também não traduzem a realidade, porque, explicou, grande parte das infecções são despercebidas e às vezes as pessoas estão infectadas e não sabem.

“O lema deste ano, Futuro Livre de Hepatites, é um desafio enorme, porque quando se fala das hepatites virais vem logo a cabeça o tipo B, que tem a transmissão sexual, e pode passar de mãe para filhos e muita das vezes, esquecemos da do tipo A, que está muito ligado ao saneamento básico, às condições de higiene, alimentação e a água”, referiu.

Defende que é preciso sensibilizar a população para adopção de práticas de higiene adequadas, sublinhando que neste contexto da pandemia da covid-19 a questão de higiene individual e colectiva está a ganhar uma proporção interessante, e irá repercutir também na prevenção de outras doenças como as hepatites virais.

“Outra questão tem a ver com o tratamento adequado dado à patologia, sendo que há tratamento disponível, mas é preciso diagnosticar atempadamente, ter profissionais treinados e focar, sobretudo, no serviço de planeamento familiar, pré-natal, aconselhar as mulheres grávidas ou que queriam ter filhos”, apontou.

Júlio Rodrigues disse que o país dispõe de vacinas que incluem as de hepatite B, e previnem cerca de 180%, se forem tomadas adequadamente, uma pessoa adulta pode prevenir até 30% e uma criança que tomar e cumprir o calendário vacinal adequada estará prevenida com uma alta taxa de prevenção e não vir a ser infectada pelo vírus da hepatite B.

No seu entender, é necessário pensar numa prevenção mais integrada de adopção de hábitos e estilos de vida saudáveis, prevenir a transmissão vertical de mãe para filhos, pela via sexual e pensar também nas outras hepatites que estão associadas a alimentação saudável, higiene individual e colectiva.

Assegurou que o INSP tem estado a trabalhar com acções voltadas para as estruturas de saúde em todos os níveis da pirâmide sanitária, terciária, secundária e primária, para as instituições parceiras, para comunidades e para a comunicação social.

Na ocasião, adiantou que o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) reuniu-se hoje com os seus parceiros, através da plataforma zoom, para discutir sobre as hepatites virais no contexto da pandemia da covid-19.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, (OMS), um em cada três pessoas já foi infectada por algum vírus causador de hepatites e a maioria não sabe e ocorre o risco de evoluir para uma doença crónica e 1 milhão de pessoas morrem todos os anos.

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