As folhas e as flores da madressilva são ricas em derivados salicílicos. Podem, por isso, ser utilizadas para atenuar todos os sintomas que são aliviados com aspirina, incluindo dores de cabeça, febre, arterite e/ou dores reumáticas. As folhas contêm propriedades anti-inflamatórias e substâncias antibióticas ativas contra os estafilococos e o bacilo de coli, tornando-a num remédio que combate problemas respiratórios e também ataca infeções gastro-intestinais.

Pela sua ação anti-espasmódica e expetorante, esta variedade botânica é um bom remédio para tratar problemas de expetoração, tosse, asma e bronquite. Quando utilizada para combater problemas respiratórios, é mais eficaz em xarope, sobretudo se este for feito a partir das suas flores, mas, se a tomar em forma de infusão ou tintura, obtida por um processo de extração alcoólica, também obterá bons resultados. Experimente e verá. Não quererá depois outra coisa!

As propriedades adstringentes das folhas desta trepadeira lenhosa, muito frequente nas regiões mediterrânicas, que enche o espaço que a rodeiam de uma fragrância inebriante são úteis em gargarejos para combater inflamações da boca e da garganta. Tanto as flores como as folhas são diuréticas e aconselhadas em casos de retenção de líquidos. Podem ainda ser um bom digestivo ou um laxativo suave. A madressilva, usada em fitoterapia desde tempos remotos, é, ainda, calmante do sistema nervoso, sobretudo em casos de ansiedade provocada por ataques de asma. Na homeopatia, o remédio da variedade Lonicera (L.periclymenum), obtido a partir das folhas da planta, é aconselhado em casos de irritabilidade e mau humor.

O L.xylosteum, por seu lado, obtido a partir das bagas tóxicas desta planta, é utilizado, por muitos especialistas, nacionais e internacionais, para tratar problemas de diarreia, de vómitos, de espasmos e de convulsões. As bagas desta planta são tóxicas e não devem, por isso, ser ingeridas. Na sua composição, a madressilva integra flavonoides, taninos, cerca de 1% de óleo essencial (linalol e jasmona), inusitol e luteolina, glúcidos e, ainda, derivados salicílicos.

A madressilva no jardim e na horta

Faze umas bonitas e perfumadas sebes, atraindo insetos polinizadores. Esta planta, muito apreciada pelas suas cores, tem, contudo, uma desvantagem. Torna-se rapidamente invasora se não for controlada. Todas as variedades existentes têm um perfume muito agradável e doce e são bastante apreciadas pelas abelhas. Em Portugal, cresce de forma espontânea um pouco por todo o lado, sobretudo nas extremidades dos bosques e em solos de preferência argilosos.

As origens desta planta

A madressilva Lonicera spp. pertence à família das caprifóliaceas, onde se inclui também o sabugueiro e o noveleiro. O nome Lonicera é uma homenagem a um botânico alemão que viveu no século XVI, Adam Lonicera. Já a variedade Caprifolia vem do latim cabra, devido à grande preferência que as cabras têm por esta planta, mas também talvez devido à sua natureza trepadora, tal como os caprinos. A L.caprifolium é oriunda da Europa Meridional e do Cáucaso.

A variedade L.japonica, por sua vez, é nativa da China e do Japão, mas cresce de uma forma subespontânea em diversos locais do território continental português e dos Açores. Ambas podem ser encontradas em muros, arbustos e sebes. Trata-se de uma planta vivaz que pode viver até aos 40 anos. Os seus ramos enrolam-se solidamente à volta dos suportes. A espécie mais comum em Portugal é, todavia, a L.etrusca, a L. periclimenum, a madressilva-das-boticas.

Tal como as outras, apresenta flores branco-amareladas, mas estas raiadas de vermelho. Esta planta é ainda conhecida como madressilva-dos-jardins ou como maia por estar em plena floração durante o mês de maio. A madressilva era já conhecida de Pedanius Dióscorides. Este reputado botanista, farmacêutico e físico grego, nascido em Anazarbus, na Turquia, que viveu no ano 100 da atual era já a menciona na conceituada obra que escreveu, "Matéria médica".

A fase em que a madressilva foi menosprezada

Os gregos designavam-na por peryclemenon, palavra que significa literalmente "Eu agarro-me". Durante toda a antiguidade egípcia, grega e romana, a sua casca era muito utilizada. No entanto, com o decorrer dos séculos, o seu uso massificado foi perdendo importância. Na Idade Média, foi menosprezada. Acreditava-se que o seu perfume provocava sonhos eróticos e as adolescentes estavam, por isso, proibidas de apanhar e de levar para casa ramos desta flor.

À medida que os séculos foram avançando, esse mito foi perdendo força. Os chineses acreditam, ainda nos tempos que correm, que o uso prolongado de madressilva aumenta a longevidade, defendendo também a sua utilização na prevenção e até no tratamento de vários problemas de saúde. Na Rússia, outro dos países que defende a mesma teoria, fabrica-se um óleo a partir da casca da madressilva, que é utilizado para tratar tumores e também para aliviar dores crónicas.

Texto: Fernanda Botelho

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