É do Jet Propulsion Laboratory (JPL), um laboratório norte-americano integrado na agência espacial dos Estados Unidos, que todos os anos saem grandes novidades que são aplicadas na área da medicina. Foi sobre esses avanços científicos que Leon Alkalai, um investigador da NASA, veio a Lisboa falar no terceiro Congresso Internacional da Associação Portuguesa de Investigação em Cancro.

"Há toda uma nova geração de tecnologia de visualização, de realidade aumentada, que estamos a desenvolver no JPL. E há um esforço para aplicar a tecnologia espacial ao campo médico", referiu o especialista.

O nome de Leon Alkalai está associado a algumas das mais impressionantes missões espaciais norte-americanas. A mais recente decorreu há pouco mais de uma semana, quando foi lançada para o Espaço a missão InSight, que vai instalar-se no planeta vermelho. "Marte será analisado como quem observa um doente e aquilo que vamos fazer é analisar o seu interior", explicou.

Mas a ligação entre a investigação espacial e a medicina vai muito além desta analogia. "Fomos nós que inventámos a tecnologia por detrás do Da Vinci, um braço robotizado muito usado no bloco operatório", diz o cientista.

A tecnologia na área da imagem é outra das apostas do laboratório da NASA, ‘emprestada’ à área da medicina, nomeadamente à oncologia. "Somos muito fortes no campo da tecnologia que proporciona a recolha de imagens do universo, com recurso aos infravermelhos. E esta tecnologia permite também que se visualizem células cancerígenas, uma vez que existem diferenças no calor emitido por estas células", acrescentou.

O especialista mencionou ainda o trabalho feito na área da recolha e tratamento de dados. "Trabalhamos também na área do diagnóstico preditivo, com base em dados clínicos, dados socioeconómicos, tudo isto baseado na tecnologia criada para o Espaço", garante.

Já área da esterilização, os avanços têm sido relevantes, uma vez que tudo o que vai para o Espaço tem de ser totalmente esterilizado. "Não podemos levar germes ou esporos para o Espaço. Temos de proteger os outros planetas da nossa contaminação", afirma.

As inovações nesta área em concreto podem, segundo Leon Alkalai, estar disponíveis nos hospitais dentro de um ano. "É importante porque vai permitir usar os equipamentos de forma mais rápida, reduzindo o risco de infeção", uma das principais causas de morte em ambiente hospitalar, conclui.