“Nós estamos numa situação muito preocupante, a situação da covid-19 em Cabo Verde continua a aumentar, sobretudo no concelho da Praia. Apesar dos bons resultados que já temos na Boa Vista, devemos dizer que temos de estar preparados, vamos ter mais casos”, alertou Artur Correia, na cidade da Praia, no ponto de situação do novo coronavírus.

O responsável de saúde notou que o país não pode viver eternamente em estado de emergência ou de contingência, pelo que apelou às pessoas para mudarem comportamentos.

“Nada é como dantes, e aqui não só as autoridades, mas também as populações têm um papel fundamental. Essa mudança de comportamento está nas nossas mãos. A responsabilidade é nossa”, afirmou Artur Correia, dando conta de um “certo desleixo, abrandamento” no cumprimento das medidas, quer de confinamento, quer para evitar aglomeração de pessoas.

Cabo Verde regista um total de 175 casos acumulados de covid-19, distribuídos pelas ilhas de Santiago (116), Boa Vista (59) e São Vicente (03), com dois óbitos e 37 recuperados.

Na cidade da Praia, o foco principal da doença no país com 113 casos positivos, por exemplo, várias fotos têm sido publicadas nas redes sociais dando conta de aglomerações de pessoas em frente de estabelecimentos comerciais, bancos, sem verificar todas as medidas de proteção.

O diretor nacional de Saúde disse que isso “é reprovável”, chamando a atenção que, a continuar assim, o país vai eventualmente ter “mais casos e mais mortes” no país.

“Se as pessoas continuarem com esse comportamento, a situação poderá descambar, poderá piorar e poderá sair do nosso controlo. E nós não queremos isso. Tudo depende de nós próprios”, insistiu o porta-voz do Governo cabo-verdiano, num apelo feito no balanço dos 45 dias desde o diagnóstico do primeiro caso no arquipélago, em 19 de março.

Artur Correia admitiu que as autoridades de saúde têm estado a constatar o desrespeito das pessoas às medidas de prevenção da doença, insistindo que a situação “pode descontrolar-se a qualquer momento se houver relaxamento”.

“Daí toda a importância de continuarmos com essa mudança de comportamento”, prosseguiu o responsável, que reconheceu “falhas” em todos os setores, mas sublinhou que o que interessa é constatá-las, “passar por cima” e reforçar o que deve ser reforçado.

“As autoridades policiais têm um papel fundamental, pedagógico, mas também, se for o caso, repressivo, para fazer cumprir das normas, as recomendações que estão em sintonia com o estado de emergência na Praia, mas nas outras ilhas também”, notou.

As ilhas de Santiago e da Boa Vista entraram domingo no terceiro período de estado de emergência em Cabo Verde, em vigor até ao final do dia 14 de maio.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 247 mil mortos e infetou mais de 3,5 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de um milhão de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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