Em declarações à Inforpress, no âmbito do Dia Mundial da Hipertensão que se assinala hoje, a coordenadora do Programa de Hipertensão, a especialista em cardiologia, Irinita Soares, disse que por se tratar de uma doença silenciosa e, às vezes, com ausência de sintomas deve ser conhecida e controlada.

“A hipertensão acontece quando há uma elevação persistente da pressão arterial, com valores iguais ou maiores do que 140 milímetros de mercúrio (mmHg) por 90 mmHg, mas que neste momento foi mudado para 130 mmHg por 80 mmHg e que deve ser sempre conhecido”, afirmou.

“O aumento da pressão arterial não possui apenas uma causa, por isso, pode ser proveniente de diversos fatores, entre os quais, o sedentarismo, obesidade, sobrepeso, ingestão de sal em excesso e até mesmo se for uma doença comum na família”, precisou.

Por este motivo, sublinhou a especialista, o Programa de Hipertensão elaborou um plano de actividades que esta sendo cumprindo desde o início do mês de Maio, que também é o mês de coração, e que cumpre realização de rastreiros com medição da pressão arterial e outros.

Em Cabo Verde, realçou, a pressão arterial é a doença que mais mata e atinge cerca de 35 por cento dos cabo-verdianos em idade compreendida entre 25 a 64 anos, segundo dados do Ministério da Saúde.

“A tendência, nos próximos tempos, é para manter-se ou aumentar, já que foi mudado o valor para 130 mmHg por 80mmmHg. Perante esta mudança, o protocolo a nível da hipertensão que o país elaborou vai ser revisto para depois ser implementado a nível nacional”, informou.

O protocolo, segundo a médica, vai permitir que os técnicos de saúde possam uniformizar a conduta médica perante o doente.

A hipertensão sem tratamento, segundo a especialista em cardiologia, pode aumentar o risco de sofrer um ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal, cegueira, arritmia ou paragem cardíaca.

Neste caso, e para contribuir para o bem-estar das pessoas a médica apela aos cabo-verdianos a comer com pouco sal, adoptar hábitos saudáveis com uma alimentação equilibrada, evitar excesso de álcool e de tabaco, praticar actividade física de forma regular e manter peso saudável.

Cabo Verde, segundo relatório de 2016 da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre as doenças não transmissíveis na Região Africana, é o segundo país na região africana com maior prevalência de hipertensão arterial.

Actualmente os valores ideais nesta doença situam-se nos 130/80 mmHg. Acima de 140/90 mmHg já se considera estar numa situação de hipertensão.

A data foi instituída em 2002 com o objectivo de conscientizar a população em relação ao diagnóstico de prevenção e sobre o tratamento da hipertensão.