Apesar da reduzida eficácia das máscaras de tecido na proteção contra Covid-19, com a escassez de máscaras cirúrgicas no mercado, a produção de máscaras de tecido tem aumentado no mundo e Cabo Verde não é exceção.

Jael Alves Monteiro, Ghislene Alves e Maria José Moniz trabalham há muito tempo no ramo de corte e costura e, agora, com a epidemia Covid-19, e com a escassez das máscaras no país, resolveram produzir máscaras de tecido para ajudar na proteção do vírus.

Em entrevista ao SAPO, Jael Alves Monteiro, que é proprietária da marca de roupa feminina Shanna, diz que a ideia surgiu ainda em finais de fevereiro quando viu a grande procura por máscaras na China e algumas confeções começaram a produzir máscaras de tecidos para ajudarem os hospitais e a população. “Achámos pertinente começarmos a produzir tendo em conta a necessidade que Cabo Verde viria a ter, sabendo que tudo isso é novo para nós. E afinal tínhamos razão”.

Ghislene Alves produz máscaras há muito tempo, muito antes do surgimento da pandemia. “Antes a finalidade era a estética, mas com a chegada do vírus, fiz algumas pesquisas e comecei a produzir para proteção. No início tive muita procura, mas com as recomendações do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) diminuíram as encomendas. Entretanto, nos últimos dias, tendo em conta o cenário atual, as encomendas voltaram a aumentar, revela a jovem. “O preço por unidade é de 200 escudos”.

Costureira há 30 anos, Maria José Moniz, motivada pela escassez de máscaras no mercado, começou a confecionar há cerca de três dias e nesta terça-feira,21, começaram a surgir as primeiras encomendas.

Segundo a filha Carla, Maria José Moniz começou a confecionar para o uso diário da própria família e após fazer uma publicação na página pessoal no Facebook várias pessoas perguntaram se tinham para venda e eis que surgiu a ideia de criar uma página nas redes sociais para divulgar e vender as máscaras. “Já foram confecionadas mais de 100 máscaras, mas a procura tem aumentado e estamos a trabalhar para dar resposta à demanda”.

Eficácia das máscaras

Segundo a bióloga mindelense Diara Kady Rocha, produzir uma máscara de tecido requer alguns cuidados para garantir a sua eficácia.

“Penso que a matéria-prima a utilizar deve ser o algodão, conforme as recomendações do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), e com as dobras necessárias para reduzir o crivo, ou seja reduzir o diâmetro dos poros, de modo que passe o ar necessário, mas não as gotículas eventualmente contaminadas. Por outro lado, este material pode ser lavado em água quente ou na máquina de modo a garantir a esterilização após o uso”.

As máscaras da marca Shanna são produzidas nas Confecções Alves Monteiro e, segundo Jael Monteiro, a fábrica tem capacidade para produzir milhares por dia.

“Utilizamos tecido duplo, entretela e elástico. A cada corte tiramos 200 máscaras de adulto e 200 de crianças. Após confecionadas são engomadas com ferro industrial a vapor e embaladas ainda quentes”, explica e diz que cada unidade custa 350 escudos.

Maria José Moniz também segue algumas recomendações para garantir a eficácia das suas confeções. “Utilizamos tecido de algodão, linhas e elásticos. Temos um certo cuidado com a escolha do tecido, dependendo da percentagem do algodão algumas máscaras levam 2 e outras 3 camadas para garantir a sua segurança”, diz e acrescenta que vende cada unidade por 100 escudos para poder ser acessível a todos.

Já Ghislene Alves usa três camadas de tecido 100% de algodão ou tricoline e elástico e sempre alerta as suas clientes sobre o uso e a eficácia das mesmas.

“A máscara é de uso individual, não deve ser partilhada e não pode ser usada por mais de que 2 ou 3 horas. Deve-se evitar tocar na máscara. Tirar pelo elástico e lavar as mãos em seguida. Depois de tirar, pode-se deixar de molho em água e sabão/detergente. Secar bem ao sol e passar a ferro”, explica.

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