"Quero reconhecer que São Tomé e Príncipe, sozinho, não conseguiria vencer este momento de crise sanitária, uma crise que, sem o apoio da comunidade internacional, de todos os amigos deste povo, dos parceiros multilaterais e bilaterais, se transformaria numa crise económica aguda e tensão social com consequências incalculáveis", disse Jorge Bom Jesus.

O primeiro-ministro evocou os vários apoios que o país tem recebido e destacou o mais recente, que chegou ao país através do voo humanitário financiado pela União Europeia em 90 mil dólares.

"Temos que agradecer à União Europeia, à cooperação portuguesa, Nações Unidas, sobretudo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e as várias doações de muitos são-tomenses na diáspora que se organizaram e enviaram-nos muitos apoios", disse Jorge Bom Jesus.

O governante são-tomense, que falava aos jornalistas no final de mais uma reunião do Comité de Crise, sublinhou que o seu governo já "fez muito" durante os dois meses em que a crise de saúde pública foi declarada no país, mas lamentou a falta de "colaboração e envolvimento da população".

"Eu quero aqui reconhecer tudo o que pudemos fazer durante estes dois meses. Fizemos bastante, mas sem a colaboração, sem o envolvimento total da população em termos de atitude, em termos de comportamento e, sobretudo, de mudança de prática, interiorizando de que a doença existe", lamentou o governante.

Jorge Bom Jesus criticou os políticos que, através da rede social Facebook, têm criticado as ações do executivo de combate a doença, embora reconheça que o seu governo está numa "escala dinâmica de aprendizagem em que mesmos os sistemas sanitários [mais desenvolvidos] têm sido colocados a prova".

"Acreditamos que, mobilizando a grande teia de sinergias, incluindo todas as competências nacionais, acho que vamos conseguir vencer esta doença", disse o chefe do executivo são-tomense, prometendo maior eficiência nas ações governamental nos próximos dias.

O Presidente são-tomense, Evaristo Carvalho, criticou a falta de eficácia em algumas ações do governo para combater a proliferação da infeção pelo novo coronavírus, durante a última reunião dos órgãos de soberania realizado sábado, no palácio presidencial.

"Prometemos ser mais eficiente nos próximos 15 dias", disse o dirigente, reconhecendo que o seu governo tem tido "algumas dificuldades, que reconhecemos na frente sanitária".

O governo decretou hoje a prorrogação do confinamento geral obrigatório por mais 15 dias, devendo terminar no próximo dia 31 deste mês.

Em África, há 2.834 mortos confirmados, com mais de 88 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné-Bissau lidera em número de infeções (1.032 casos e quatro mortos), seguindo-se a Guiné Equatorial (522 casos e seis mortos), Cabo Verde (335 casos e três mortes), São Tomé e Príncipe (246 casos e sete mortos), Moçambique (145 casos) e Angola (50 infetados e três mortos).

O país lusófono mais afetado pela pandemia é o Brasil, com mais de 16.700 mortes e mais de 254 mil infeções.

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