“A realização de testes rápidos vai ser alargada. Cerca de 50 mil testes estarão disponíveis nas próximas semanas”, anunciou Ulisses Correia e Silva, numa declaração ao país, na cidade da Praia, sobre as medidas de prevenção sanitária e de proteção civil pós-estado de emergência.

Na declaração, o chefe do Governo não precisou onde os testes serão adquiridos.

Antes do primeiro-ministro, o diretor nacional de Saúde, Artur Correia, disse que o alargamento dos testes deve obedecer aos limites de disponibilidade no país, para ultrapassar o âmbito da sua utilização nos casos suspeitos, mas também a outros grupos.

Sem prejuízo de uma utilização mais global, o diretor disse que os testes são feitos aos doentes que recorrem às estruturas de saúde com sintomatologia gripal, profissionais de saúde, bombeiros, agentes de desinfeção, e outros que lidam com doentes covid-19, incluindo o setor privado, e todos os contactos de um caso confirmado, independentemente de ter sintomas ou não.

Mas também os casos de infeção respiratória aguda com internamento hospitalar, todas as pessoas sujeitas a quarentena no final do período, profissionais que trabalham no atendimento público e condutores de veículos de transporte de passageiros.

Nas ilhas onde existem casos positivos, o responsável de saúde disse que vão ser identificados grupos de populações, ou bairros onde há muita concentração de pessoas e que vivem em condições de habitabilidade precária.

“Já está em curso na Boa Vista e vamos identificar outros bairros vulneráveis para implementar a medida de forma progressiva”, prosseguiu a mesma fonte, indicando que nas ilhas onde não se registam casos positivos serão feitos estudos, utilizando os testes de rastreio para deteção da circulação de anticorpos específicos do vírus da covid-19 e de casos assintomáticos.

O objetivo é “permitir que as medidas de saúde pública sejam tomadas em consequência” e “agir proativamente” para tentar “mitigar a disseminação do vírus na comunidade”, terminou.

Na quarta-feira, durante debate no parlamento, o ministro da Saúde de Cabo Verde, Arlindo do Rosário, afirmou que o país já tinha realizado testes a 342 casos desde que surgiu a pandemia da covid-19 e até esse dia, e que a “tendência é de alargar” essa testagem.

De acordo com o governante, para os 342 casos – que incluíam nomeadamente 141 suspeitos e 191 a “contactos assintomáticos” de casos confirmados - foi necessário realizar cerca de 1.500 testes, dada a necessidade de repetir vários, que se revelaram inconclusivos.

E insistiu que os testes, assegurados pelo Laboratório de Virologia do Instituto Nacional de Saúde Pública, são feitos em Cabo Verde de forma mais alargada face a outros países, desde logo por testar mais contactos assintomáticos do que casos suspeitos e com sintomas.

O país tem uma população que ronda 550 mil habitantes, distribuídos por nove das 10 ilhas do arquipélago.

Cabo Verde conta atualmente com 82 casos da covid-19, distribuídos pelas ilhas da Boa Vista (54), de Santiago (27) e de São Vicente (1).

Desde sábado passado que está em vigor um segundo período de estado de emergência, mantendo-se suspensas as ligações interilhas e a obrigação geral de confinamento, além da proibição de voos internacionais.

A declaração do atual estado de emergência prevê para as ilhas da Boa Vista, Santiago e São Vicente que permaneça em vigor até às 24:00 de 02 de maio. Nas restantes seis ilhas habitadas, sem casos diagnosticados de covid-19, o estado de emergência é até às 24:00 de domingo.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 190 mil mortos e infetou mais de 2,6 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 708 mil doentes foram considerados curados.

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