A especialista, que falava à imprensa à margem do Congresso Nacional sobre o Cancro, a decorrer na cidade da Praia, afirmou que durante este evento vão ser debatidos problemas relacionados com a luta contra o cancro nos países de língua oficial portuguesa.

Para a diretora do Serviço de Oncologia do Hospital Dr. Agostinho Neto da Praia, um outro objetivo deste encontro é o de formação e “aumentar os conhecimentos” no domínio das novas tecnologias e técnicas na abordagem dos cancros.

No concernente a recursos para o tratamento das doenças oncológicas, Hirondina Borges reconhece que o país se depara com “algumas limitações” e cita exemplo de ausência de radioterapia que, de acordo com as suas palavras, é “importante para o tratamento de vários cancros”.

Para fazer face a esta situação, prossegue, o país recorre à cooperação com Portugal que oferece este tipo de tratamento aos cabo-verdianos de que dele necessitam.

Os cancros da mama, do colo do útero e das vias digestivas são os que mais afetam as cabo-verdianas, enquanto nos homens são os cancros da próstata, estômago, esófago e fígado.

Instada sobre o que tem sido feito em matéria de prevenção, indicou que o Ministério da Saúde já elaborou um plano nacional de luta contra o cancro que abrange o período 2018-2022, que ainda está na fase de discussão.

“Temos que orçamentar este plano para a sua implementação”, precisou a especialista, que aproveitou para explicar que o envio dos doentes para o tratamento no exterior não depende nem do médico nem do Ministério da Saúde.

“Existe um processo clínico do doente que é enviado para Portugal e depois aguardamos pela data da consulta”, esclareceu a diretora do Serviço de Oncologia do hospital central da Praia, adiantando que o país dispõe dos “meios essenciais para o diagnóstico”.

De acordo com aquela especialista, anualmente são diagnosticados entre 50 e 60 casos de cancro da mama no país, estando, atualmente, em seguimento 259 mulheres com esta doença.

O consumo do álcool, na opinião de Hirondina Borges, constitui um “peso muito grande” no aparecimento de vários tipos de cancro, nomeadamente do esófago, estômago e fígado.

“A maioria dos nossos doentes com o cancro do esófago são pessoas, cujo fator de risco é o alcoolismo”, enfatizou, apontando ainda outras causas como o tabagismo, a obesidade e vários tipos de infeções, vírus e bactérias.

Participam neste congresso representantes da África do Sul, Brasil, Moçambique, Portugal e Senegal.