Ricardo Mendes fez estas afirmações em declarações à imprensa, à margem do Ateliê de reflexão, intercâmbio e partilha para um comércio de alimentos sensíveis à nutrição em Cabo Verde, que decorre hoje e quarta-feira, na cidade da Praia.

O encontro, conforme referiu, tem como objectivo discutir de que forma o comércio poderá ser sensível à nutrição e tentar ver o que se pode fazer para atenuar e minimizar os problemas da obesidade, da deficiência de nutrientes e da subnutrição registados em Cabo Verde.

Destacou, os ganhos registados em Cabo Verde nessas matérias, principalmente no que se refere à deficiência de micronutrientes, e subnutrição, realçando, entretanto que se tem registado um aumento da obesidade e excesso de peso no país com maior incidência nos idosos, isto, no seu entender, devido ao estilo de vida e o processo de envelhecimento.

“Sabemos que o excesso de peso é considerado um factor de risco em Cabo Verde para as doenças crónicas e não transmissíveis, que constituem a maior causa da morte em Cabo Verde e essas doenças crónicas, a obesidade está muito associada com o consumo de alimentos ultra-processados, alimentos com grande concentração de sal, açúcar, sódio”, afirmou.

Defendeu, neste sentido, a necessidade de se fazer a revisão da legislação no comércio e tentar controlar a importação de alimentos ultra-processados em Cabo Verde e apostar mais no consumo de alimentos nacionais, que, reforçou, contribuíram antigamente na melhoria da saúde e qualidade de vida dos cabo-verdianos.

Para Ricardo Mendes, ao tomar essa medida, está-se de igual modo, a aumentar a renda dos pequenos agricultores, da dita, agricultura familiar, e promover um estilo de vida mais saudável.

De acordo com este responsável, é preciso, por outro lado, se fazer uma revisão da rotulagem nutricional dos alimentos que, por sua vez, seja clara ao consumidor, referindo, que na actual legislação cabo-verdiana não é obrigatória declarar proteínas, carboidratos, e tipos de gordura contidos nos alimentos.

“Ao longo prazo a intenção é controlar a importação de alimentos ultra-processados que não são saudáveis. Temos vários exemplos de alimentos ultra-processados, que são alimentos que você acaba adicionando sal, açúcar, por exemplo, chocolates, enlatados, salsichas, que tem muito sal ou açúcar que, muitas vezes, não é só para realçar o sabor, mas também para conservar o produto”, indicou, sublinhando que o consumidor precisa ter acesso a essas informações para poder tomar decisões mais inteligentes e assertivas.

Por seu turno, o coordenador do projecto, Komivi Sodoke, explicou que este ateliê enquadra-se no âmbito do projecto da FAO para os pequenos países insulares, ajuntando que os mesmos estão geograficamente e economicamente isolados e, portanto, dependem de mercados distantes para o seu abastecimento alimentar.

Segundo disse, os países insulares enfrentam o mesmo problema, que é o problema da forte dependência de importação de produtos alimentares para o consumo, salientando, que a consequência disso é que hoje regista-se um aumento da obesidade e das doenças crónicas não transmissíveis nesses países.

“O projecto quer ajudar esses países a rever as suas políticas comerciais, isto quer dizer que cada país tem a sua legislação relativamente ao comércio de produtos alimentares e face a aos problemas de obesidade, doenças crónicas não transmissíveis nesses países. Queremos trabalhar em parceria com os ministérios da Saúde, Finanças e Agricultura e do Comércio desses estados com vista à redução dessas doenças e revisão da lei que permite reduzir a importação de produtos alimentares ricos em sal, açúcar e sódio” concluiu.

O referido ateliê é promovido pela FAO, em parceria com a OMS e pretende-se com esta iniciativa realizar um inventário de intervenções para reduzir e controlar a distribuição de alimentos ”não saudáveis” nutricionalmente para a saúde do consumidor, discutir mecanismos de concertação e as estratégias de intervenção, de modo a ter maior complementaridade das acções do projecto e analisar formas de contribuição de cada parceiro na materialização dos projectos apresentados.

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