As prioridades em termos de especialistas para o hospital regional São Francisco de Assis passam pela dotação das estruturas de técnicos especializados nas áreas de anestesia, cardiologia, ortotraumatologia e farmácia, segundo o diretor desta unidade hospitalar, Luís Sanches.

Além dessas quatro áreas de especialidades, que o diretor do hospital regional São Francisco de Assis considera “prioridade das prioridades”, para a consolidação dos ganhos é necessário ainda dotar o estabelecimento hospitalar de pelo menos mais um cirurgião, um médico internista, mais um pediatra, mais um ginecologista e um psiquiatra para a região sanitária.

Para o diretor, é necessário ter um médico anestesista porque a estrutura não dispõe de um médico nesta área e tem funcionado com dois técnicos anestesistas. Justifica ainda que é “fundamental” ter um médico nesta especialidade para garantir a qualidade e segurança dos doentes que vão para o bloco operatório.

Para Luís Sanches, “de pouco” adiantaria ter um grande leque de especialistas cirúrgicos se não dispõem de um especialista qualificado para auxiliar os cirurgiões no bloco operatório, e dentro das prioridades aponta como uma primeira opção, assim como um farmacêutico.

A nível de infraestruturas, no entender deste responsável, a região “ganhou e muito” com o novo hospital quer para o conforto de doentes e pela qualidade de trabalho, pelos equipamentos disponíveis, como pelas estruturas de que não dispunha, nomeadamente a Delegacia e um Centro de Saúde urbano que está colocado ao serviço da comunidade de São Filipe e da região. Ainda de acordo com Luís Sanches, o hospital veio reforçar o trabalho realizado ao longo dos anos sobre regionalização e a organização do atendimento a nível da região sanitária Fogo e Brava.

Questionado se o número de recursos humanos existente satisfaz a demanda da região, Luís Sanches advogou que “dificilmente” em Cabo Verde se consegue ter um número de técnicos que satisfaz toda as necessidades, não só pela pobreza em si mas também pela fuga de quadros, mas adiantou que houve ganho.

Segundo o mesmo, em 2010 apenas existia duas especialidades, um ginecologista e um pediatra, mas seis anos depois, indica que a região dispõe de duas pediatras, dois ginecologistas, um cirurgião, um internista, uma psiquiatra, um oftalmologista, psicólogos clínicos, dois técnicos anestesistas, médicos radiologistas, dois cirurgiões estomatológicos com equipa montada, nutricionista, sem contar com a estrutura nova, com técnicos, equipamentos como radiologia, quer no hospital como nos centros de saúde dos Mosteiros e Brava, e aparelhos de ecografia.

“O nosso desafio é ter sempre melhor e vamos lutar para isso”, disse Luís Sanches, que já  dispõe de plano e objetivos para 2017 que também vão ser discutidos durante a visita do ministro da Saúde e Segurança Social à região, que passa pelo reforço do corpo de clínico geral com pelo menos mais três médicos, da equipa de enfermagem com pelo menos mais oito enfermeiros.

Em termos de infraestrutura hospitalar, entre as apostas para 2017, que, no dizer de Luís Sanches, são objetivos “exequíveis”, destaca-se a melhoria da parte que não recebeu intervenção aquando da requalificação e ampliação da estrutura, nomeadamente o bloco operatório de modo a torna-lo mais operacional e com melhores condições de segurança.

A melhoria das enfermarias de cirurgias, dos consultórios médicos, pavimentação e iluminação interna, assim como ter um sistema para desinfeção e esterilização dos equipamentos médicos cirúrgicos, para que os médicos tenham mais conforto e os doentes sejam atendidos em melhores condições são outras das apostas.
No que se refere à organização, para 2017 está calendarizado o reforço da formação, sendo que as áreas estão identificadas, e a prioridade vai para os técnicos e serviços de “front-office” para melhorar o atendimento, aproximar ainda mais das pessoas, ouvir as pessoas para que o hospital sirva as pessoas e elas possam ter essa noção.

Refira-se que, o ministro da Saúde e Segurança Social, Arlindo do Rosário, iniciou hoje uma visita de trabalho de três dias às ilhas do Fogo e da Brava para contactos com estruturas do seu Ministério.