Há mais de duas décadas que insiste mas nem todos o ouvem. O consumo regular de carnes processadas favorece o desenvolvimento de cancro colorretal. Há uma semana, a publicação especializada Annals of Internal Medicine publicou cinco revisões científicas de estudos que minimizam os impactos da sua ingestão no organismo, uma situação que o médico e epidemiólogo alemão Kurt Straif condena veementemente.

"Os que desvalorizam os riscos de ingestão de carnes processadas estão enganados", afirmou o antigo responsável por um dos programas da IARC, organismo afeto à Organização Mundial de Saúde, em entrevista ao jornal El País. "Não estou nada de acordo com a interpretação que fizeram dos dados. Os autores dessa revisão desvalorizaram evidências de estudos observacionais e valorizaram demasiado os experimentais", critica.

"Para um indivíduo, o risco de desenvolver cancro colorretal por consumir carne processada é pequeno, mas o risco aumenta à medida que aumenta a quantidade de carne consumida", afirmou Kurt Straif, em 2015. De lá para cá, a opinião do especialista alemão não mudou. "Para terem feito uma coisa bem feita, teriam de ter estudado a dieta específica das pessoas [que ingerem carnes processadas] durante mais tempo", considera.

"Podem passar 10 ou 20 anos desde que a pessoa que se expôs a um agente cancerígeno até o cancro se manifestar. É aquilo a que chamamos o período de latência. Nunca foi feito um ensaio clínico que tenha durado tanto tempo", sublinha o especialista. "Essa é uma das razões pelas quais digo que estão equivocados", defende o médico e epidemiólogo germânico. O cancro colorretal mata anualmente cerca de 4.000 pessoas, 11 por dia.

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