Num período em que o país está de quarentena devido à pandemia do novo coronavírus e em que muitas pessoas passam por muitas dificuldades, a Wink Kriola, uma marca criada pela ONG Rainbown Generation, sentiu a necessidade de criar um movimento para apoiar as mulheres e meninas mais afetadas pela atual situação e que enfrentam dificuldades em adquirir produtos de higiene como pensos, tampões e sabão durante o período menstrual.

Assim surgiu o Red Line (Linha Vermelha), um movimento criado pela Wink Kriola, que visa apoiar meninas e mulheres com kits higiénicos para que elas tenham um período menstrual “digno”.

Segundo a cofundadora da marca Wink Kriola e coordenadora do projeto Red Line, Vanilce Veiga, o movimento foi criado após a situação da pandemia ter chegado ao país e que com a declaração do estado de emergência, impulsionou a Wink Kriola a lançar a campanha para doação de pensos higiénicos.

“Dado à conjuntura que o país está a viver causada pela covid-19, onde muitas meninas e mulheres necessitam de apoios, podemos através desta Linha Vermelha fazer com que elas possam ter um período menstrual digno durante esta crise que estamos a viver”.

Entretanto, neste momento de confinamento em que para muitas famílias a prioridade é a alimentação, Vanilce Veiga realça que este movimento pretende que as mulheres e meninas não se sintam esquecidas.

A campanha da Red Line para doações de kits higiénicos que foi lançada a 5 de abril e já entregou cerca de 1800 kits para meninas e mulheres de diferentes bairros da capital e contou com o apoio da atriz e modelo luso cabo-verdiana, Ana Sofia.

“Foi algo impressionante. Tivemos a adesão quer de mulheres individuais, empresas locais onde recebemos centenas de produtos higiénicos e contamos com doações feitas através da plataforma online Gofundme e ainda ajudas monetárias. Em apenas sete dias já tínhamos entregue 600 kits de pensos higiénicos e outras doações, após o anúncio da campanha”.

Um movimento que para Vanilce Veiga, realçou a necessidade de se focar nas necessidades que muitas mulheres e meninas passam durante o período menstrual.

“Ainda há meninas que usam panos ou sacos de plástico como utensílios higiénicos durante o período menstrual, outras acabam por não ir à escola, durante o período menstrual, devido à falta de condições financeiras”.

Uma situação alarmante e que pode causar infeção e trazer outros impactos na saúde feminina e que esta organização ajuda a colmatar com este movimento da Linha Vermelha. Não só para apoiar com produtos higiénicos, mas também para dar assistência às mulheres e ajudá-las a encarar o período menstrual como algo natural.

“Queremos que a Red Line (Linha Vermelha) sirva como uma linha específica onde possamos ouvir as meninas e mulheres que têm receio em lidar com a menstruação, sobretudo as que se encontram na situação de pobreza, e apoia-las para que sintam confortadas e tenham mais segurança. Queremos quebrar o tabu e fazer com que este estigma desapareça”.

Vanilce Veiga que é também coordenadora da ONG Raibown Generation, diz que o problema é mais profundo e que é preocupante visto que muitas meninas e mulheres ainda têm receio de encarar a menstruação como algo natural. “Há ainda muitas meninas que veem o período como tabu ou algo nojento”.

Um projeto de cariz social e que conta com a parceria do movimento “Womenise it.” e da plataforma digital “Nós é Criolas”. O movimento já chegou a mais de oito bairros da cidade da Praia: Eugénio Lima, Ponta D’Água, Paiol, Castelão, Safende, Achada Santo António, Achada São Filipe, Jamaica, Lém Ferreira e Lém Cachorro e os concelhos de São Domingos e Santa Cruz, e que pretende ainda chegar a outras ilhas do arquipélago.

Já que a união faz a força, a coordenadora do projeto almeja mais tarde poder contar com apoio de outras instituições.

“A ideia é abranger um maior número de mulheres possível, inclusive aquelas que têm mais necessidade e que a nível financeiro não possuem condições para obter kits higiénicos, por exemplo, as mulheres desempregadas ou que possuem rendimento inferior ao salário mínimo, mães solteiras ou filhas de mães solteiras sem condições financeiras”, ressalta.

Vanilce Veiga realça ainda o engajamento positivo sobretudo dos homens.  “O mais impressionante é que homens também se solidarizaram com o nosso projeto e deram os seus contributos”, conclui e diz que ainda são poucos os que estão consciencializados.

Nesta linha de que uma mão lava outra, Vanilce aproveita para agradecer a ótima parceira com a “Womenise.it” através da campanha #Nha Menstruação e “Nós é Criolas” que criou a plataforma online GoFundMe para arrecadação de doações.

“Para que todas as meninas e mulheres possam abraçar o seu corpo sem medo da transformação e que o período menstrual é algo que nos acompanha ao longo da vida e por isso devemos vê-lo como algo normal. E para aquelas que estão a iniciar o período que a Linha Vermelha está disposta a ajudar a encarar a menstruação de forma natural. É algo individual e cada mulher sente de forma diferente, mas no fundo todas sabemos como é e por isso ninguém melhor do que nós mesmas para juntas ajudarmos umas as outras a diminuir o preconceito e a desinformação que gera o tabu e a timidez”, conclui Vanilce Veiga.

Edna da Veiga/Estagiária

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