Antes de se tornar um fenómeno global no que toca aos apetites culinários, a piza conta-nos uma história de afirmação da identidade de um jovem Estado, a Itália, nascido no século XIX, após séculos de atribulações entre outros pequenos estados no seio da Península Itália. Corria o ano de 1889 e a jovem rainha Margarida de Saboia (Margherita di Savoia), monarca consorte, viajava pelo recente Reino de Itália. Um périplo a par com o seu marido, o Rei Humberto I. Uma viagem que significava muito para a soberania do novo país, nascido em 1870.

Margarida, jovem e diplomática, conquistava a população por onde passava o casal real. Humberto, por seu turno, não caia nos amores dos que se opunham à unificação italiana. De tal forma que, Humberto I seria alvo de uma tentativa de assassinato nesta sua viagem de 1889. Regicídio que se concretizaria mais tarde, em 1900.

Por agora, Margarida de Saboia e Humberto I visitavam Nápoles, há muito berço de pizas. Estas, comuns entre os trabalhadores rurais que as consumiam, nos campos, num formato bem diferente do que lhe conhecemos hoje. Era conhecida como Picea, um disco de massa assada, coberta com ingredientes baratos, como toucinho, peixe frito e queijos.

Pizas que também conheciam as mesas da restauração da cidade do sul de Itália. Uma dessas casas, na época já com estória, era a do pizzaiolo Raffaele Esposito, proprietário da Pizzeria di Pietro.

Coube, precisamente, a Raffaele a tarefa de homenagear os monarcas na sua estada em Nápoles. Uma celebração à mesa que deveria fazer justiça à especialidade local, a piza e aos ingredientes que marcavam a identidade das diferentes cozinhas da Península Itálica.

margarida de saboia
Margarida de Saboia, a monarca que ficou para a posteridade com o nome associado a uma piza.

Raffaele engendrou três pizas mas, apenas uma entre estas, mereceu a aprovação dos cozinheiros dos reis de Itália. Porquê? Porque sobre a massa que servia de base à piza Esposito engendrou a fórmula mágica capaz de seduzir Margarida e Humberto. Fê-lo juntando um trio de ingredientes: Queijo Mozzarella de búfala, Molho de tomate e manjericão.

A combinação agradou aos palatos reais. Mas, o que de facto marcou a diferença nesta Piza Margherita, como ficaria assinada para a posteridade, foi a combinação de cores empregue pelo pizzaiolo napolitano. O vermelho do tomate, o branco do queijo e o verde do manjericão, faziam alusão explícita às tonalidades da nova bandeira do Reino de Itália.

Esposito sabia que agradava aos monarcas com a simplicidade desta sua nova piza. Não poderia, contudo, imaginar que sucessivas levas de emigrantes italianos levariam para outras latitudes aquela que se tornou a maior embaixadora entre as pizas italianas. A Margherita, uma pisa nascida nos alvores de um novo país.

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