Olhemos com atenção para as imagens da fotógrafa canadiana Anne Mason-Hoerter. O que vemos? Um abacate, uma mão-cheia de couves-de-bruxelas, uma batata, uma papaia, peixe, alho, em suma, alimentos.

Agora, olhemos com atenção. Veremos que a batata, o gengibre, grelam. As couves-de-bruxelas são belas nas fotografias de Anne, embora já tenham passado o ponto ideal de frescura. O peixe, embora de tonalidades atraentes também nos faz torcer o nariz.

Sim, se a observação endereçar o leitor para estas constatações, está a empreender o caminho correto, a orientar-se para o objetivo da fotógrafa que há dez anos apura uma técnica complexa.

O que Mason-Hoerter faz é sobrepor digitalmente até 50 fotografias numa mesma imagem. Ao apreciarmos a abóbora, a mandioca, a beringela, captadas pela artista norte-americana, estamos, na realidade, a contemplar um processo de captação de imagens que pode levar até quatro semanas.

Anne Mason-Hoerter
Couves-de-bruxelas.

O objetivo da fotógrafa, vencedora de prémios internacionais, no seu país e no estrangeiro, é reter num só “quadro” o carácter evolutivo dos alimentos. Degradam-se, alterando a sua estrutura física.

Ao sobrepor as imagens produzidas em estúdio, Anne Mason-Hoerter dá-nos a vários tempos, o mesmo alimento, desde a colheita, ainda fresco, passando pelo amadurecimento e decrepitude, com o emurchecimento e decomposição.

Isto variando, de imagem para imagem, as condições de luz, a exposição da fotografia, entre outros aspectos técnicos.

O trabalho da fotógrafa que divide a sua vida entre o Canadá e a Alemanha tem o foco na natureza, em diferentes áreas, dos alimentos, à flora e ao retrato.

Anne Mason-Hoerter
A Botânica, outra das áreas de interesse da canadiana. A técnica, a mesma que aplica aos alimentos.

É a própria que define o seu trabalho na página na Internet que lhe serve de apresentação do portefólio e do seu percurso: “Sou fascinada pela mudança contínua. De olhar para um organismo vivo, seja ele humano ou vegetal, fragmentando-o, manipulando-o e reinventando-o, com uma entidade inteiramente. Assemelha-se ao original, mas é de fato, totalmente reinventado. Uma imagem que oscila entre a realidade e o surreal”.

Anne sentiu-se atraída pelas técnicas de manipulação fotográfica cedo na sua vida, ainda como estudante de fotografia na Ontario College of Art and Design, no Canadá.

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