Na Irlanda, o Gur Cake

Corria o século XIX e padeiros de Dublin olharam para os restos de pão endurecido, vendo-lhe uma oportunidade. Criaram o Gur Cake (também conhecido como Gudge ou Donkey’s Gudge), um bolo de recheio húmido e de cor escura, incorporando frutos secos, pedaços de pão (demolhado), e açúcar. O doce era facilmente adquirido pela classe trabalhadora, com poucos recursos económicos. Atualmente, o recheio de Gur Cake é servido entre duas fatias de massa para bolos.

Na Irlanda, o Gur Cake

Na Áustria, a Sachertorte

Tomemos-lhe as características pois são apetitosas: A Sachertorte consiste em duas camadas de massa de chocolate, aconchegando uma fina camada de compota de alperce. A cobertura, nova dose de chocolate negro e lascas do mesmo. Acresce uma dose de chantilly.  Este, para humedecer um bolo que os vienenses consideravam seco. Uma especialidade criada, corria o terceiro quartel do século XIX, no Hotel Sacher que sempre preservou o segredo da confeção. Contas feitas, é um grande negócio, com a produção anual de mais de 250 mil de Sachertorte.

Na Áustria, a Sachertorte

Em Itália, os Cannoli

O cannolo, no plural cannoli, nasceu na ilha da Sicília, consistindo numa massa doce frita, enrolada em tubo e recheada com um produto comum na região, o queijo ricota. Na origem, em Palermo, seria um doce produzido no período do Entrudo e simbolizando a fertilidade. Historicamente, o cannolo terá os seus antecessores ainda no decurso do império romano. Em 75 d.C., um cônsul romano referia-se a um "doce tubo de massa de farinha recheado com creme".  Um petisco da gula que, no século XIX, extravasou a Sicília, entrando na rota da emigração italiana para os Estados Unidos, onde se disseminou.

Em Itália, os Cannoli

Na Holanda, o Stroopwafel

Data do século XVIII a criação desta bolachinha, o stroopwafel, constituída por duas metades circulares de massa, assadas e unidas por uma espessa calda. Nos ingredientes básicos vamos encontrar a farinha, a manteiga, o açúcar, o leite e os ovos. Na calda, entram o açúcar mascavado, a manteiga e a canela.

Um doce que, para a sua criação, concorreu o empenho que os holandeses colocaram além-mar, com a entrada de produtos exóticos do Oriente, nomeadamente a canela. A primeira receita escrita, nasceu do punho de um padeiro de Gouda, corria o ano de 1840. Esta cidade permaneceu como o único local de produção da bolacha até 1870.

Stroopwafel

Em França, o Macaron…mas com maternidade em Itália

É estaladiço por fora, húmido e delicado no seu interior e com um delicioso rebordo de creme em torno, a que se chama saia. O Macaron é filho da pastelaria latina mais concretamente nos territórios que hoje constituem a atual Itália. Na época o biscoito de massa de amêndoa não tinha recheio. No século XVI o Macaron chega a França. Isto quando os chefes de pastelaria

transalpinos de Catarina de Médici se encarregaram de apresentar a receita à mesa do casamento desta com Henrique II de Inglaterra. Será nas casas religiosas das Carmelitas que os macarons ganham nova projeção e labor. Sublinhe-se que aquela ordem religiosa tinha por princípio nas suas crenças que as “amêndoas são boas para as jovens que não comem carne”.

Com a Revolução de 1789 os macarons saem dos conventos para a sociedade laica. A História refere a fuga e posterior acolhimento de duas religiosas junto de uma família. Para a posteridade ficariam conhecidas como as Souers Macaron (Irmãs Macaron).

Até à sua morte as duas religiosas nunca revelaram o segredo da produção de macarons. Só no século XX é desvendado o mistério. Para contornar questões de propriedade intelectual, Pierre Desfontaines, altera ligeiramente a receita original e engendra-lhe o recheio e apresenta-o na Ladurée, pastelaria parisiense. Estava garantida a posteridade.

Macaron, o biscoito que pede mãos de artesão, paciência de monge e disciplina militar

Na Alemanha, o Bolo Floresta Negra, ou se preferir Schwarzwälder Kirschtorte

É vistoso este Bolo Floresta Negra, um quase impronunciável Schwarzwälder Kirschtorte, querendo citá-lo na língua de origem. Trata-se de uma especialidade com camadas de bolo de chocolate com creme chantilly. Não lha faltam as cerejas entre camadas, assim como um licor produzido a partir destas, o Kirschwasser. Pode ser adicionado outra bebida, como o rum.  A primeira receita escrita deste bolo intenso data da primeira metade do século XX e esteve particularmente associado a Berlim, embora disseminando-se pela Ásutria, Suíça e, inclusivamente, na Suécia, o Schwarzwaldtårta, um bolo de suspiro, com camadas de chantilly e coberto pelo mesmo. Acresce o chocolate.

Na Alemanha, o Bolo Floresta Negra

Em Portugal, o Pastel de Nata

Para encontramos a filiação do nosso Pastel de Nata, nada como ler as palavras do gastrónomo Virgílio Gomes que lhe tece a história: “As origens do pastel de nata remontam seguramente ao século XVI e depois percorre um caminho de aperfeiçoamentos sucessivos até chegar aos nossos dias. A sua origem conventual parece ser incontestável (…). Como sabemos que a receita também foi para o Brasil e, possivelmente, iniciada a sua confeção durante a permanência da Família Real no Rio de Janeiro e publicada a receita nos dois primeiros livros daquele país de língua portuguesa”.

“Em 1904 publica-se com Carlos Bento da Maia, o seu livro Tratado Completo de Cozinha e Copa, com uma receita de ´Pastéis de Nata`, cujo recheio é constituído por natas, açúcar e gemas de ovo. Sugere que ´é clássico polvilhar a superfície do recheio destes pastéis, primeiro com açúcar muito fino, depois, com canela em pó`, tradição que ainda se mantém.

Dizer o nome do estabelecimento tem o Melhor Pastel de Nata de Lisboa
créditos: @Peixe em Lisboa

Na Turquia, a Baklava

Não há uma versão única da Baklava, da mesma forma que não encontramos versões singulares de muitos outros doces europeus. Neste caso, vamos encontrá-la no Médio Oriente, assim como em países dos Balcãs. Trata-se de um pastel substancialmente doce, elaborado com uma pasta de nozes trituradas (pistácios ou avelãs, sementes de sésamo ou de papoila, entre outros ingredientes), envolvidas em massa muito fina e com um banho de calda ou mel. Crê-se que na sua atual forma, a Baklava tenha origem no Palácio de Topkapi, em Istambul e a residência de sultões durante quatro séculos.

Na Turquia, a Baklava

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