Chegou ao fim este sábado, 25, a 2ªedição do Vaiss Fashion Day que este ano contou com dois dias. A fechar, sete criadores nacionais e internacionais apresentaram as suas colecções perante uma plateia cheia. A organização diz estar contente com o resultado obtido e promete novas edições se houver apoios.

Cindy Monteiro, Artemisa Tavares, Tunga Né, Josefa da Silva, Vera Martins/Raízes, Alzerina Gomes e Daniel Hernández foram os sete criadores que este ano tiveram a oportunidade de mostrar o seu trabalho ao público cabo-verdiano mais atento à moda.

Os desfiles aconteceram no espaço “warehouse” na Praia. O criador Tunga Née foi um dos mais aplaudidos pelo público atento.

Alzerina Gomes, criadora residente nos EUA e já sobejamente conhecida pelas jóias que cria, tem-se aventurado também no desenho de peças de roupa, especialmente vestidos de noite. A colecção apresentada contou com as duas vertentes e marcou pela diferença pelo facto de ter escolhido músicas de Césária Évora como ‘pano de fundo’ durante a apresentação de suas peças.

Alzerina aproveitou a estadia na Praia para ministrar um Workshop e segundo a criadora foi “fantástico”. “As pessoas que participaram foram preparadas, já tinham alguma base, foram com perguntas certas, já viradas para o 'business', o que é preciso fazer, etc … foi muito bom”, diz.

“Estou cá desde quarta-feira, 22, e tem sido agitado mas é normal quando estamos a preparar um desfile com ensaios, etc ... estou um bocadinho cansada mas contente por estar aqui, contente com o convite da Vaiss Models”, acrescentou.

A estilista falou ainda ao SAPO sobre as suas criações. “Gosto d muito de coser vestidos de noite, gosto de fazer com que as mulheres se sintam ainda mais feminina. Não faço peças só para constituir uma colecção ... faço quando sinto vontade. Quando já trabalhei muito nas jóias passo para as roupas como um ‘hobbie’. Os meus vestidos são sempre peças únicas e faço-as quando sinto aquela 'sede' de coser. Cresci entre a costura, a ver a minha mãe costurar”, conta.

Para Alzerina “em Cabo Verde somos muito elegantes, gostamos de moda, temos a moda no sangue então esta iniciativa é um exemplo para alertar-nos de que cada vez mais precisamos trazer mais criadores para o país para tentarmos profissionalizar mais a área.”

“Cabo Verde foi uma surpresa maior do que eu estava à espera”

Daniel Hernandéz, estilista e coreógrafo de passerelle, está pela primeira vez no âmbito da Vaiss Fashion Day. Segundo o criador de origem colombiana mas radicado nos EUA, “foi uma surpresa maior do que eu estava à espera. As modelos são muito profissionais, as pessoas muito calorosas e amáveis”.

“Surpreendeu-me ver como as mulheres em Cabo verde gostam de ser ver bem e bonitas. É um país com muito potencial para a moda mas fiquei um pouco triste de ver que há muita coisas feita na China e que são muito baratas e creio que será um pouco difícil começar-se a dar valor ao trabalho de um estilista nacional e nesse aspecto penso que há que trabalhar mais.”

Além da apresentar a sua colecção, Hernandéz, que espera regressar em breve a Cabo verde, trabalhou também com modelos cabo-verdianas nestes dias de preparação para os desfiles. “o trabalho com as modelos correu muito bem e gostei porque estão muito atentas, ouvem o que dizemos e querem superar-se. Muitas vezes há problemas porque as modelos têm muito ego e aqui não senti muito isso, e é bom”, remata.

“Este ano foi muito melhor do que no ano passado”

Vanny Reis, mentora da iniciativa através da agência Vaiss Models, diz com certeza que “em termos da qualidade este ano foi muito melhor do que no ano passado”. “Tanto os estilistas como os expositores capricharam muito mais. Tivemos uns desfiles simplesmente magníficos. Acho que é a primeira vez que se vêm desfiles assim, é um trabalho de qualidade. Quanto ao público, é normal que ainda não tenhamos pessoas que liguem muito à moda mas quem faltou foi quem ficou a perder”, sorri.

Diz, em nome da organização, que estão contentes com o resultado conseguido. “Tenho a certeza que as pessoas que assistiram gostaram e agora é continuar a trabalhar se tivermos apoios porque é difícil fazer um evento como este sem apoios, tal como aconteceu este ano praticamente. Enquanto houver estilistas e marcas e houver condições irá haver Vaiss Fashion Day. Acho que é um evento para ficar e que já é um marco e depois do que vimos hoje temos todos os motivos para querer continuar”, conclui.

Cláudia Marques

26.07.2015