Segundo uma pesquisa realizada pela consultora Fashion Roundtable, 96% dos profissionais do setor no Reino Unido votaram a favor da permanência na União Europeia no referendo de junho de 2016. Desde então, os seus receios não diminuíram, pelo contrário.

O British Fashion Council (BFC), que representa a indústria, apoia que "se evite" a saída da União Europeia sem acordo a 31 de outubro, opção abertamente contemplada pelo Primeiro-ministro conservador, Boris Johnson.

Desde a abertura da Semana da Moda, a presidente do BFC, Stephanie Phair exortou o governo a "buscar um acordo com a UE para garantir um crescimento saudável e constante da indústria da moda".

Se o país adotar a 1 de novembro as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), isso custaria à indústria da moda entre 850 e 900 milhões de libras (entre 950 milhões e mil milhões de euros), segundo um estudo da Associação Britânica de Moda e Têxteis de 2018.

A indústria da moda, que contribui com 32 bilhões de libras (35 mil milhões de euros) para a economia do país e emprega 900.000 pessoas, preocupa-se com os impostos em caso de uma saída sem acordo e com o endurecimento das regras de circulação das pessoas.

"A nossa indústria é extremamente internacional. Os talentos de todo o mundo têm que vir" para cá, explica Phair.

Vermelho sangue

Além do desafio do Brexit, o mundo da moda britânica enfrenta o desafio de fazer mais pelo meio ambiente.

Denunciando o impacto ambiental de "uma das indústrias mais contaminante do mundo", militantes do movimento ecologista Extinção Rebelião manifestaram-se na passada sexta-feira com vestidos brancos manchados de sangue na entrada do principal local de desfiles da Semana da moda, no centro de Londres.

Querendo melhorar, a indústria da moda reinventa-se, com estilistas como a dupla VIN+OMI, que vai apresentar na terça-feira uma coleção com peças feitas com plástico reciclado e plantas colhidas no jardim do príncipe Charles.

As boas práticas do setor no campo do desenvolvimento sustentável e da ética são mostradas também numa exposição dedicada à "moda positiva".

O primeiro a apresentar a sua coleção, na sexta-feira, foi Mark Fast, que trabalha muito com tecelagem e deu destaque ao verde, ao rosa e ao amarelo neon, com inspiração na selva amazónica.

Com um vestido curto e justo ou um corpete feito à mão com cores fortes, as amazonas desfilaram com tranças longas em movimento.

Aberto ao público

Entre os desfiles esperados durante estes cinco dias, está o de Molly Goddard. Esta londrina formada pela famosa escola de Moda Central Saint Martins, fez sucesso ao criar o vestido vaporoso rosa-caramelo usado pela assassina Villanelle na série de televisão anglo-americana "Killing Eve".

No domingo será a vez de Victoria Beckham, a ex-Spice Girl que se tornou estilista. No ano passado, a atual estrela dos eventos de Nova Iorque apresentou pela primeira vez em Londres as suas criações em comemoração dos 10 anos da sua marca.

Ainda este ano Beckham vai lançar uma linha de cosméticos.

Outro desfile esperado é o da Burberry, na segunda-feira.

Os novos estilistas serão representados pelos jovens da "incubadora de talentos" Fashion East.

Uma novidade desta edição é que, devido ao crescente entusiasmo popular, a Semana da Moda de Londres decidiu abrir as suas portas ao público numa espécie de evento paralelo.

A partir de 135 libras (150 euros), os fashionistas poderão comprar o seu bilhete para assistir aos desfiles de estilistas como a famosa "It girl" Alexa Chung, e da marca House of Holland, do inglês Henry Holland.

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