Mizé Varela é uma sonhadora. Natural do interior de Santiago, Santa Catarina, mudou-se para a cidade da Praia para estudar Ciências de Comunicação na Universidade Jean Piaget em 2009 e acabou por ficar na capital.

A jovem que trabalha como assessora de comunicação é uma amante de arte desde criança e não esconde o seu amor pela criação de peças artesanais.

“Gosto de arte desde criança e acabei por descobrir na bijuteria e no artesanato uma nova paixão”, afirma em entrevista ao SAPO.

A jovem recorda que os primeiros passos na confeção de bijuterias foram dados em finais de 2016 graças ao incentivo das amigas.

“Primeiro comecei a confecionar bijuterias para as minhas amigas. Gostaram e solicitaram algumas peças para oferecer aos familiares. Acabei por criar uma coleção intitulada ‘coleção-piloto’ e divulguei no Facebook. A repercussão foi excelente e a partir daí comecei a receber várias encomendas e elogios de pessoas a incentivarem-me para continuar a produzir bijuterias” diz a artesã.

Graças à boa repercussão, a jovem sentiu necessidade de criar um nome e uma marca para as suas peças.

“Não queria um nome que se identificasse apenas com a bijuteria porque tinha também a ideia de produzir outras coisas e foi assim que surgiu a marca ‘Miziz’ que está associada agora à criação de bijuteria, bolsas, t-shirts, acessórios de moda em geral, capas de telemóveis, chapéus, entre outros”, realça Mizé.

Mizé destaca que o desafio maior está na conciliação da sua profissão com o seu hobbie, o artesanato.

“A parte mais difícil é conciliar a minha profissão com a criação das peças. Dada a correria que o meu trabalho tem, às vezes não consigo dar conta de tantas encomendas. Trabalho o dia inteiro e à noite dedico-me a fazer algumas peças. Às vezes trabalho nos finais de semana e não consigo dar conta das encomendas,” explica, lamentando que, infelizmente, ainda não tem uma equipa de produção.

No que diz respeito às matérias-primas utilizadas no fabrico das peças, a jovem diz que grande parte vem do exterior, tendo em conta a fraca oferta nacional.

“Devido à fraca oferta em Cabo Verde compro a maioria dos materiais no estrangeiro quando vou de férias ou por compras online”, esclarece.

Mizé diz ter perdido a conta de quantas peças já fez e que devido à boa aceitação, o stock sempre termina rapidamente. “Já não me recordo quantas peças já criei, são centenas. A aceitação e o feedback dos meus clientes têm sido excelentes”.

A grande maioria das peças da marca “Miziz” são vendidas online mas a jovem colabora também com a Mimos Cabo Verde, que é uma loja de artesanato localizada no Plateau, na Praia.

A jovem artesã lançou no passado dia 23 de agosto uma nova coleção de bijuterias, “Pilonkan”, inspirada em peças tradicionais com vista a resgatar tradições antigas das mulheres do interior da ilha.

“A minha nova coleção de bijuterias tem com objetivo resgatar aquilo que é nosso, os nossos valores, tentar mostrar para os nossos jovens que para além da beleza existe um significado por trás dessas peças, a nossa identidade. Por exemplo o ‘Sibitche’ e o ‘rosádi’ eram utilizadas principalmente por crianças para se proteger do mal olhado e feiticeiras”, reforça.

Mizé conta já com três coleções lançadas no mercado e ambiciona lançar uma nova no final deste mês.

“Neste momento estou a produzir uma coleção denominada ‘Elegance’ que irá sair nos finais deste mês. Se na coleção anterior trabalhei só com peças mais tradicionais, nesta estou a trabalhar com peças mais modernas. Vai ser uma coleção simples, mas com um toque de elegância”, finaliza a jovem artesã que ambiciona conquistar o mercado internacional coma marca Mziz.

Cisandra Tavares/ Estagiária

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