Filha de pais foguenses, Jael Alves Monteiro nasceu e foi criada no meio de uma oficina de costura na cidade da Praia. Afinal, os progenitores são proprietários da Confecções Alves Monteiro, uma das mais antigas empresas do ramo textil, em Cabo Verde. “Sendo a filha mais nova, ficava sempre com os meus pais, que são alfaiates, na oficina. Então, ganhei o gosto pela paixão dos meus pais”.

Como muitas crianças da sua idade, começou por criar peças de roupa para as bonecas, suas e das amigas, e, mais tarde, apesar de nunca ter tido aulas de desenho, passou a criar as suas próprias roupas. “Fazia saias e blusas, mas não sabia colocar as mangas. Depois passei a desenhar as peças para os funcionários da fábrica produzirem”.

A jovem foi aperfeiçoando a sua paixão e, em 2012, criou uma marca de roupa que registou com o nome de ‘Shanna’. “Criei a marca, mas na altura não tinha maturidade suficiente para lançar uma linha de roupa. Então tive de trabalhar melhor o conceito, preços, modelos e a ideia que queria que as pessoas tivessem da marca”.

Passados seis anos e com uma formação na área de Administração e Habilitação de Gestão de Negócios, feita no estrangeiro, hoje já com 30 primaveras, Jael Monteiro está a preparar o lançamento no país da sua marca de roupa.

‘Shanna’, marca que tem como logo uma gata, será apresentada no dia 14 de novembro na Feira Internacional de Cabo Verde (FIC), na cidade da Praia. “Depois vou abrir uma loja em Achada Santo António (ASA). Penso fazer uma franquia da marca para coloca-la em todo o país”.

Na altura de escolher uma cara para representar a marca, a escolha recaiu sobre Nadine Fortes, a autora do blog Vaidosa D+, que segundo Jael, sempre a apoiou nesta ideia de negócio.

Trata-se de uma marca de vestuário, “comum e simples” e 100% nacional. As peças são produzidas nas instalações da Confeções Alves Monteiro, na cidade da Praia, mas a matéria-prima é oriunda de países como Portugal, França e Estados Unidos da América.

“É uma marca de mulheres para mulheres. Nesta primeira fase, é exclusivamente para as mulheres, mas pretendo, daqui a um ano, lançar uma linha para crianças denominada ‘Shanninha’".

Quanto ao mercado masculino, a mentora afirma que pensa fazer essa aposta dentro de dois anos.

Vestido, blazer, calções, saias e blusas são algumas das peças que integram a primeira coleção da ‘Shanna’. Segundo Jael Monteiro, os preços vão variar entre os 1800$00 aos 5000$00 (escudos).

“O conceito por trás da ‘Shanna’ é que todas as mulheres podem ter acesso a roupas de qualidade, a um preço acessível. Vejo, por exemplo, que as boutiques praticam preços exagerados”.

As peças são uma inspiradas em coleções do mercado da moda. “Já tenho dois catálogos de peças disponíveis”. “Gosto dos padrões dos anos 40 e 50, mas vou seguir as novas tendências do mundo da moda. Vou usar tecidos como o linho que não é muito usado no país por ser caro, tecidos 100% de algodão e africanos”.

“Sem a empresa dos meus pais não conseguiria criar a ‘Shanna’”

Questionada sobre como vê o mercado cabo-verdiano no ramo da moda, Jael Monteiro diz que é promissor, mas que ainda há muito para fazer.

“Se não fosse a empresa dos meus pais não iria conseguir a ‘Shanna’. Para tal é preciso ter máquinas, ferros para engomar industriais e mão-de-obra qualificada. As Confeções Alves Monteiro é a maior fábrica de confeções 100% cabo-verdiano. Por isso, tenho todo um historial e a plataforma para criar uma marca”, diz.

Quanto às expectativas em relação à marca, a jovem espera superar as mesmas. “Quero consolidar a marca no mercado nacional, porque ainda não temos um mercado de moda consistente, no país. Não vou criar tendências, simplesmente, quero ter a minha linha de montagem para criar peças simples e do dia-a-dia, mas com qualidade e preços acessíveis. As pessoas estão ansiosas com o lançamento da marca. Espero conseguir superar as expectativas do público”, conclui.