Apesar da idade, é ele que continua a determinar o rumo da empresa que fundou no dia 24 de julho de 1975. É ele que escolhe os tecidos, que sugere as notas que os perfumistas devem incorporar nas fragrâncias a que dá nome e que aprova as localizações das luxuosas unidades hoteleiras que integram o império económico que construiu nos últimos 45 anos. Nascido em Piacenza, no norte de Itália, no dia 11 de julho de 1934, o criador de moda e empreendedor italiano Giorgio Armani faz hoje 86 anos.

Na adolescência, depois de ler "The citadel", um livro do médico e novelista escocês A. J. Cronin, decidiu ser médico. Chegada a hora, candidatou-se ao curso de medicina da Universidade de Milão, que chegaria a frequentar durante três anos. O serviço militar afastá-lo-ia, todavia, do ensino. Por causa dos conhecimentos técnicos que tinha entretanto adquirido, foi enviado para o Hospital Militar de Verona. Foi lá que se apaixonou pelos desfiles de moda a que assistia no famoso coliseu da cidade.

Não mais regressaria à universidade. Finda a comissão de serviço, regressa a Milão. Em 1957, começa a trabalhar no La Rinascente, um prestigiado estabelecimento comercial. O estilista Nino Cerruti contrata-o para desenhar moda masculina. Percebendo que a sua roupa faz sucesso, Giorgio Armani começa a produzir peças em nome próprio. Em 1975, funda, em parceria com o empreendedor Sergio Galeotti, a sua própria empresa e, logo na primavera/verão de 1976, apresenta uma coleção de moda masculina e uma feminina. A partir daí, ninguem mais o para. Além da Giorgio Armani, cria as marcas Armani Privé, Armani Collezioni, Emporio Armani, Armani Jeans, Armani Exchange e Armani Junior.

A essas, juntam-se outras, como a Armani Casa, a Armani Dolci, a Armani Caffé, a Armani Fiori, a Armani Hotels e a Armani Ristorante. Em 2018, valia mais de 5,9 mil milhões de euros. "Quando comecei, não tinha nada", admitiria publicamente anos mais tarde. "Eu gosto da ideia de ter construído um império mas, lá no fundo, ainda gosto de pensar em mim como a criança que brincava num estábulo", confidencia. "Para criarmos algo de excecional, o foco tem de estar nos pequenos detalhes", defende.

Apesar do êxito, continua a preferir observar o que vai vendo à sua volta e a seguir a sua intuição, que quase nunca o deixou ficar mal. "Não tenho uma fórmula que possa transmitir. Sempre fiz as coisas à minha maneira. Ainda hoje, continuo a ser muito independente. A minha independência é a minha coisa mais preciosa", desabafa. "Paixão. Risco. Tenacidade. Consistência. Esta é a minha história profissional", resume o empresário, que tem, contudo, uma mágoa, como em tempos assumiu.

"O equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal é a chave da felicidade. Eu sacrifiquei a minha vida [pessoal] por causa do meu trabalho e, se tivesse uma oportunidade voltar atrás, hoje faria exatamente o oposto", garante. Apesar dos seus lucros terem caído 18,4% em 2018, as vendas cresceram 2,3% em 2019, atingindo os 2,2 mil milhões de euros. Visionário desde cedo, Giorgio Armani foi o primeiro estilista a realizar o seu desfile de moda à porta fechada por causa da COVID-19.

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