Alsione Gilda Alves é uma jovem mãe cabo-verdiana que reside atualmente no Luxemburgo. A jovem de 32 anos natural de Santo Antão tem vitiligo mas isso não a impediu de concorrer ao Top Model Europe 2019, um dos mais prestigiados concursos de modelos da Europa.

Em conversa com o SAPO, a jovem, que já foi eleita Miss Fotogénia num concurso de beleza em Santo Antão, revela que ficou a saber do concurso através da internet e que foi inscrita por um amigo.

“Decidi participar do Top Model Europe para quebrar os padrões de beleza, ser aceite pelo que sou e para ajudar as pessoas que já sofreram com o mesmo preconceito. Este tipo de concurso ajuda a abrir as mentes e a quebrar tabus”.

Atualmente, Alsione já está na 3ª etapa do concurso e apela ao voto de todos os cabo-verdianos para chegar à final do Top Model Europe.

”Peço aos cabo-verdianos para que votem em mim e que partilhem a minha história. Gostaria de ganhar o concurso para inspirar muitas mulheres e homens. Já ajudei muita gente e quero ajudar mais. Conto com o apoio de todos”.

As votações decorrem na página do Facebook do concurso e terminam no dia 17 de março.

É de recordar que as modelos cabo-verdianas Erin Figueiredo e Jocelina Miranda Correia, ambas radicadas no Luxemburgo, também já participaram no concurso.

Um percurso que “nunca foi um mar de rosas”

Natural do Paul, Santo Antão, Alsione Alves sempre foi amante de desporto, diz que já foi  inclusive várias vezes campeã na modalidade de voleibol.

Há cerca de 10 anos, na altura com 22 anos, a jovem deixou a ilha das montanhas e foi viver com a mãe em Portugal. “Vim com a intenção de estudar, mas tive que abandonar os estudos para ajudar a minha mãe a trabalhar”.

Recorda que a sua vida Portugal nunca foi um mar de rosas. Aos 26 anos, ficou grávida de uma menina, atualmente com 6 anos, e foi vítima de violência doméstica por parte do companheiro. A jovem revelou ao SAPO que teve que deixar tudo para trás e recomeçar do zero.

“Fui para uma casa de abrigo e lá as mulheres eram vítimas de violência psicológica. Faziam com que muitas preferissem voltar para casa dos companheiros do que viver no abrigo. Nos faziam sentir incapazes e culpadas por todo o mal que nos aconteceu. Foi uma fase má da minha vida e piorou quando pensei que a minha salvação era um ´amigo´ que me ajudou a sair do abrigo. Este fez-me pior e acabei por fugir dele para recomeçar de novo”, conta.

Alem de ser vítima de violência doméstica, Alsione revela que já sofreu de bullying por causa da doença que afeta a pigmentação da pele. “Com as minhas manchas já sofri muito, principalmente em conseguir encontrar trabalho. Muitas pessoas me tratavam mal. Para trabalhar tinha que estar bem maquilhada”.

“Aqui sou feliz”

Há pouco mais de 1 ano mudou-se para o Luxemburgo, país onde diz que se sentiu aceite com vitiligo. “A minha vida deu uma volta enorme. Aqui sou feliz e consigo ser eu mesma”, afirma.

Questionada sobre os planos para o futuro, a jovem, que trabalha como camareira num hotel no Luxemburgo, diz que gostaria de fazer um curso na área de estética para dar uma vida melhor à filha e à mãe que está a recuperar de um cancro de mama. “É o meu grande sonho”, conclui.