Ahuna Pires é uma jovem empreendedora natural de Santa Catarina de Santiago que reside há cerca de dois anos no Luxemburgo. A jovem que é licenciada em Relações Internacionais e Diplomacia contou ao SAPO como foi na área da Estética e Beleza que conseguiu realizar-se profissionalmente.

“Viajei para o Luxemburgo para fazer um estágio. Como em Cabo Verde não temos grandes oportunidades para jovens, resolvi ficar, já que neste país tenho mais oportunidades de realizar o meu sonho”.

Licenciada em Relações Internacionais e Diplomacia pelo Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais, ISCJS, na cidade da Praia, é na área da Estética e Beleza, mais concretamente na área dos cabelos e penteados, que se sente mais à vontade.

Confessa que a decisão de mudar de profissão não agradou os pais. “Para falar a verdade, os meus pais não me apoiam da forma como gostaria, mas os meus amigos e conhecidos valorizam (o que faço)”, diz e revela que chegou a trabalhar durante um ano na sua área de formação.

Trabalha há mais de um ano como hairstylist, profissional especializada em cabelo e penteados, e é apaixonada por maquilhagem.

“Trabalho com técnicas protetivas em especial com tranças africanas. Tudo o que sei aprendi com base na experiência. Não tenho um diploma profissional, mas já participei em vários workshops, e, neste momento, estou a fazer uma formação na área. A maquilhagem não é a minha área, mas faço porque gosto”.

Apesar de ainda não ter conseguido realizado o sonho de ter um espaço próprio, nomeadamente um salão de beleza, Ahuna diz que a demanda é grande. “Tenho clientes africanos, portugueses, franceses e luxemburgueses”.

A jovem empreendedora tem uma página na rede social Instagram intitulada Ahuna's Hair, que já conta com mais de 12 mil seguidores e onde divulga um pouco do seu trabalho e aborda outros temas.

“Inicialmente, era uma conta pessoal que contava com 3 mil seguidores, depois que comecei a trabalhar com penteados protetivos passou a ser uma conta profissional e desde então tem aumentado o número de ‘followers’ que são ativos e estão sempre a enviar mensagens e a interagir comigo”.

A jovem diz estar grata a todas as pessoas que a acompanham e valorizam o seu trabalho.

“Quando comecei a trabalhar na área sentia-me insegura e não sabia realmente o que queria. Sofri pressão por parte dos meus pais e amigos e ouvia comentários do tipo: ‘Fizeste uma licenciatura para pentear pessoas’. Não preciso da aprovação das pessoas, mas o apoio e a força que recebo têm um significado enorme para mim”.

Ahuna trabalha em prol da valorização e aceitação do cabelo natural. “Já houve um avanço enorme na aceitação do nosso cabelo natural, mas há ainda muito por fazer, no sentido de se fazer com que se aceite o nosso cabelo (afro) como ele é”.

Em 2018, Ahuna esteve em Cabo Verde e realizou um desfile de penteados na cidade da Praia. “Foi um desfile para mostrar não só os penteados, mas também para promover o empoderamento das mulheres. Foi bom e o feedback foi positivo”.

No que tange aos planos para o futuro, a jovem empreendedora diz que ambiciona abrir um salão de beleza e trabalhar em projetos de empoderamento feminino, principalmente das mulheres africanas e da valorização do cabelo crespo.

“Daqui a cinco anos vejo-me como uma empreendedora conceituada, com a minha marca reconhecida. Pretendo, claro, regressar ao meu país com um projeto que contribua para o desenvolvimento de Cabo Verde”, conclui.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.