Sonhadora e muito perseverante conquistou primeiro as passarelas de Boston e depois as de Nova Iorque, capital da moda americana. Hoje, meses depois de ser eleita a melhor manequim de Boston, atrai a atenção de fotógrafos renomados, desfila para grandes marcas e estilistas e estampa revistas e outdoors nova-iorquinos.

Quem é Tirzah Évora? Como te auto descreves?

Sou filha de uma nação humilde mas com uma grande visão. Desejo conquistar o mundo. Tirzah Évora auto descreve-se como uma mulher de personalidade forte e determinada a lutar para manter o seu sonho profissional sempre vivo.

Onde e quando nasceste?

No dia 3 de Julho, tive a sorte de nascer na ilha do Sal, considerada uma das ilhas mais turísticas e mais belas de Cabo Verde.

Como foste parar à emigração?

Ainda enquanto estudante pertencia à equipa feminina de Basquetebol do Liceu Olavo Moniz, na ilha do Sal. Surgiu então uma proposta para ir para os EUA com o intuito de realizar testes para qualificação numa escola profissional. Foi assim que cheguei aos Estados Unidos para estudar e jogar basquetebol…

Quando é que a moda entrou na tua vida? Quando percebeste que querias ser modelo?

Aos 14 anos. Após vários incentivos por parte da minha família, inscrevi-me num concurso de beleza na ilha do Sal. Era a primeira vez que participava num concurso de moda e saí vencedora. Foi então que comecei a interessar-me por tudo o que tem a ver com moda e decidi que queria ser modelo. Apesar de gostar de outras coisas também, comecei a investir mais em mim e na minha imagem e a participar em eventos de moda como desfiles e concursos.

E conquistaste a coroa da mulher mais bela de Cabo Verde em 2011…

Pois é, ganhei o concurso Miss Cabo Verde em 2011. E no ano seguinte, em 2012, ganhei a faixa da 1ª Dama de Honor da CEDEAO.

Fala-nos do teu percurso como modelo

Por causa desses dois títulos, várias portas se abriram. Logo depois viajei para os Estados Unidos e inscrevi-me numa agência de modelos. Foi quando tudo se tornou mais sério. Comecei a trabalhar para várias marcas e a desfilar em várias Fashion Week’s. No final de 2015, numa Fashion Week em Rhode Island, fui descoberta por uma agência de Nova Iorque. Três semanas depois já vivia em NY. Entretanto, fiz o meu primeiro casting e consegui o meu primeiro trabalho, no Project Runaway Season 15, cuja gravação teve a duração de um mês. Logo a seguir, preparei-me para o meu primeiro Fashion Week de Nova Iorque. O ano de 2015 foi muito bom e mais vitórias

estavam reservadas para mim. No ano seguinte, em 2016, fui considerada a melhor modelo feminina pelos Boston Awards 2016 e também o meu trabalho com a estilista cabo-verdiana Angélica Timas, que foi exibido em um outdoor na Times Square, em Nova Iorque.

Para que agência trabalhas neste momento?

Trabalho para a Dynasty Agency, em Boston, e para a Surface Model Management, em Nova Iorque.

Para que marcas de referência já desfilaste?

Já desfilei para marcas como TAD Baker, Reebok, Laquan Smith, Yeezy Kanye West e sou a cara da marca da estilista cabo-verdiana Angélica Timas.

Já desfilaste para grandes marcas e estilistas, já estampaste capas de revistas e outdoors nos EUA. Como te sentes com o sucesso alcançado tendo em conta que começaste um pouco tarde, se comparada com outras modelos?

A vida ensina-nos que nunca é tarde para o início de um novo sonho. Comigo aconteceu quando deveria acontecer e agradeço a Deus por assim ter sido. Eu não me comparo com ninguém e nem tenciono fazê-lo, porque no mundo da moda o que conta é ser diferente.

E hoje és a melhor modelo feminino do Boston Awards. Como foi receber este prémio?

Fui nomeada pela segunda vez. Senti-me grata pois foi a primeira cidade que me acolheu como modelo profissional. Senti que o meu trabalho e esforço foram reconhecidos e acarinhados pelo público, a quem agradeço a confiança em mim depositada. Aproveito para, mais uma vez, agradecer a todos que votaram.

Tens sido reconhecida como mereces pelos cabo-verdianos, pelas autoridades cabo-verdianas? Sentes o feedback do teu povo?

Sim, sinto-me reconhecida pelo meu trabalho, pois recebo várias mensagens de apoio dos meus conterrâneos, pelo que me sinto muito grata.

Sentes-te também acarinhada pela comunidade crioula nos Estados Unidos e restante diáspora cabo-verdiana?

Ao longo do meu percurso nos EUA tenho sido acompanhada pela comunidade crioula em vários eventos de moda. Sinto-me bastante acarinhada, pois recebo vários convites para eventos de solidariedade, entre outros.

Do que mais gostas e sentes saudades de Cabo Verde?

Sem dúvida, da minha família, da nossa morabeza linda e calorosa, das nossas festas tradicionais, da nossa gastronomia. Tenho imensas saudades de Cabo Verde.

Tens algum projeto na área da moda ou outros ramos para Cabo Verde?

Tenho sim, pois pretendo ver crescer o ramo da moda no nosso país, mas por agora tenciono mantê-lo em segredo. Tenho projetos também de carácter social para auxiliar e apoiar a população carenciada em Cabo Verde.

Geralmente o público acha que a vida de modelo é “super” glamourosa. Que glamour deixaste entrar na tua rotina? E o que não é nada glamouroso na vida de modelo?

No mundo da moda o glamour transmite-se praticamente através do teu nome, tens reconhecimento perante os famosos, recebes convites para eventos com artistas com um grande reconhecimento mundial. Para mim, o maior glamour é estar em cima de uma passarela, à frente das lentes fotográficas. O que não é nada glamouroso, talvez seja trabalhar mais de 16 horas por dia com sapatos desconfortáveis, perder noites de sono. Ainda assim, adoro o meu trabalho.

Quais os cuidados de beleza que tens diariamente?

Hidratação da pele, não dispenso o óleo de coco natural, faço uma alimentação saudável, atividade física e hidrato o meu cabelo duas vezes por semana.

O que nunca deixas de fazer antes de sair de casa?

Olhar-me ao espelho.

Na tua bolsa, o que não pode faltar?

Lipgloss, rímel, creme para mãos e claro a minha carteira.

Como descreves a mulher cabo-verdiana?

As mulheres cabo-verdianas são batalhadoras, persistentes, de carácter forte, com uma beleza peculiar e exótica, desempenhando vários papéis importantes na sociedade cabo-verdiana.

Que conselhos ou dicas deixas para as meninas crioulas que queiram seguir o sonho de ser modelo?

Os mesmos que adotei para mim e que seguem em cinco passos: 1º: é preciso sonhar; 2º: para realizar qualquer sonho tem de haver um plano; 3º: pensar como torná-lo real; 4º concretizá-lo; 5º: aproveitá-lo ao máximo. Claro, é preciso sempre amar o que se faz, sem esquecer que a beleza interior está acima da beleza exterior.