O secretário executivo da Rede Laço Branco defendeu, hoje, 05, que é preciso fazer um discurso de género sim, mas que o grande desafio é pô-lo em prática, que começa com a desconstrução das masculinidades herdadas da sociedade machista.

“Precisamos sair do discurso para a acção e temos o desafio de trabalhar para que cada pessoa que defenda a questão do género não dependa do discurso, mas que possa levá-lo à prática” numa verdadeira caminhada rumo à igualdade de oportunidades para homens e mulheres, talvez em 2030, conforme previsão das Nações Unidas, disse Paulino Moniz.

Em declarações à Inforpress, a propósito do Dia Internacional da Mulher, 08 de Março, destacou como um grande desafio em Cabo Verde “ajudar os homens a desconstruírem o modelo de homem e de masculinidade que a sociedade os impingiu para reconstruir uma nova forma de ver, entender e ser homem”.

Na visão deste sociólogo, essa desconstrução ajuda a mulher, porque o homem vai entender que deve se abdicar de parte dos privilégios que a sociedade lhe concedeu para que a mulher possa ter espaço também para se realizar enquanto ser humano com direitos e oportunidades iguais.

Paulino Moniz admitiu, contudo, que muitas pessoas, incluindo mulheres, podem considerar que o empoderamento contribui para a criação de conflito entre casais.

“Mas isso só vai acontecer se o homem não estiver preparado para a partilha com a mulher da vida tanto no espaço familiar como público”, pelo que é preciso trabalhar homens e mulheres para criar essa consciência de igualdade entre todos os seres humanos, afirmou.

Questionado se o tempo de luta da mulher é hoje e agora, considerou que sempre foi esse tempo para a mulher, embora reconheça que continua a luta pela igualdade de género, que começou de forma mais intensa desde a Conferência de Beijing em 1995.

SAPO c Infopress

05.03.2015

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