Qualquer criança consegue adquirir tais competências em qualquer idade ou ano de escolaridade. Contudo, no primeiro ciclo torna-se fundamental ajudar a criança a criar e a integrar na sua rotina quotidiana bons hábitos. Sendo que, a partir do segundo ciclo, já com os referidos hábitos consolidados, a prioridade passa a ser a aquisição de bons métodos.

A importância de hábitos e métodos de estudo

É frequente os alunos passarem uma tarde inteira no quarto, sentados à secretária, convictos de que estão a estudar, mas depois têm uma nota reduzida no teste. Os alunos pensam que estão a estudar, os pais pensam que eles estão a estudar, mas o resultado final do teste foi negativo, não correspondendo às expectativas. Alunos e pais ficam com a sensação (errada) que o tempo foi passado a estudar, pelo facto de terem permanecido na secretária, em frente aos livros. Neste sentido, verifica-se que o erro mais frequente destes alunos é passarem o tempo apenas a ler a matéria, a tentarem decorar a matéria, mas sem exercitar, nem compreendê-la verdadeiramente. Tal como não se pode aprender a jogar futebol ou a andar de skate apenas lendo sobre o assunto, sem treinar, também não se deve estudar para um teste sem praticar adequadamente, ou seja, sem que se tenha em consideração a realização de exercícios.

Quando se aprende a estudar, aprende-se a criar bons hábitos de trabalho. Aprende-se a ser persistente, aprende-se a lidar com a frustração, aprende-se a planificar, a trabalhar de forma metódica. Todas estas características são muito importantes tanto para o sucesso académico como para o sucesso profissional.

Os hábitos de estudo referem-se, assim, ao comportamento de estudo, aos horários, à persistência e à autorregulação do comportamento. Os hábitos devem adquirir-se desde cedo, uma vez que a sua aquisição, por vezes, apresenta-se temporalmente morosa. Acrescendo a vantagem de que se forem adquiridos precocemente torna-se mais fácil para o aluno ao longo do seu percurso escolar, manter a qualidade desses mesmos hábitos.

Quando nos referimos a hábitos de estudo em crianças, estes devem ser ilustrados na definição de um horário preciso de estudo; no agendamento/calendarização dos testes; na definição/delinear de uma planificação para determinado estudo; no delimitar de um tempo de atenção consecutiva, no qual se pretende que a criança estude, sem interromper a atividade, entre outras atividades/tarefas promotoras de atmosferas positivas para o estudo.

Já os métodos de estudo, dizem respeito a técnicas essenciais para a aquisição e exposição dos conteúdos integrativos das matérias escolares, que se traduzem em tarefas com resumir, sublinhar, memorizar e compreender. Estes também devem ser adquiridos desde cedo, sendo que numa fase inicial apresentam-se muito simplistas ganhando maior complexidade e exigência a partir da frequência no segundo ciclo de escolaridade, quando o ensino contempla uma nova estruturação, pautada por uma maior diversidade de disciplinas, dispondo de metodologias diferentes inerentes aos perfis dos professores responsáveis por determinada área curricular.

Métodos de estudo

O ato de Estudar, não se apresenta singular no sentido se se circunscrever à execução de uma simples tarefa/atividade, englobando para o efeito, várias fases. A primeira fase consiste na recolha de informação, no ler e sublinhar adequadamente. Em fases posteriores, é preciso retirar a informação e resumi-la pelas próprias palavras, exercitar e consolidar algumas informações que exigem memorização (como por exemplo, datas, fórmulas, entre outros conteúdos na mesma índole).

Os métodos mais adequados para cada uma destas etapas variam de aluno para aluno, consoante o seu perfil cognitivo. É importante conhecer-se os pontos mais fortes e os pontos mais fracos do perfil cognitivo da criança. Por exemplo, uma criança pode ter facilidade ao nível da memória visual, mas dificuldade ao nível da memória auditiva. Neste caso concreto, é aconselhável e benéfico para a criança resumir a matéria mediante a utilização/construção de esquemas (usando a memória visual – o seu ponto forte), em vez se basear na realização de textos (atividade que tende a privilegiar a memória auditiva – o seu ponto fraco). Neste sentido, importa realçar que para que um estudo seja considerado produtivo é necessário utilizar as ferramentas adequadas, é preciso variar os métodos e não esquecer os exercícios, pois é através do treino frequente que tendencialmente se aprende a aplicar o que se estudou e a replicar/adaptar a novas situações/contextos.

Deste modo, com vista a auxiliar os alunos no processo de estudo, partilhamos algumas técnicas que consideramos importantes para um bom método de estudo e para a sua respetiva eficácia:

  1. Organização do espaço

- Organizar/reservar um espaço físico dedicado ao estudo e às tarefas escolares, sem elementos distráteis.

  1. Planificação

- Adquirir um calendário e colocá-lo num local de fácil acesso e visível (por exemplo: a parede do quarto em frente à secretária onde o seu filho estuda). Nesse calendário o seu filho deverá colocar todos os testes e tarefas escolares que necessitem mais do que um dia de trabalho para se realizarem. Registe, também, os eventos especiais que levam tempo (como atividades extracurriculares, festas, aniversários, entre outras atividades da mesma índole.).

- Para cada teste e trabalho escolar, verifique de quantos dias necessita para estudar adequadamente. Deverá registar no calendário os dias destinados a essa tarefa. Em média, um aluno necessita de cerca de três dias de estudo por teste (importa realçar que este período pode ser variável consoante a disciplina/complexidade da matéria e o ano escolar de frequência). Para a planificação dos dias de estudo para um teste aconselhamos as seguintes orientações: a) deve agendar apenas uma disciplina por dia, durante os dias da semana, e duas, durante os fins-de-semana; b) o último dia de estudo deve ser na véspera do teste; c) o primeiro dia de estudo deve ocorrer uma semana antes da data do teste; d) deve também agendar dias de descanso, festas de aniversário, entre outras atividades passiveis de calendarização prévia (para evitar a fuga às tarefas de estudo).

- Deve agendar um dia fixo da semana para atualizar, em conjunto com o seu filho, o calendário de tarefas, tornando assim esta atividade regular/rotineira;

- Para cada teste e/ou tarefa maior o seu filho deve criar um plano de estudo. O plano de estudo consiste na elaboração de uma checklist de tarefas concretas e verificáveis. Para cada item deve usar um destes verbos operatórios: sublinhar, exercitar, memorizar, copiar ou escrever. Cada item deve conter apenas uma tarefa. Os itens devem ser distribuídos pelos dias agendados no calendário. Crie uma lista de verificação com todas as tarefas que tem de realizar para estudar para o teste;

- As tarefas devem ser diretas e pequenas. Abaixo apresentamos alguns exemplos (corretos e incorretos) de indicações de tarefas:

- “na página 35 fazer os exercícios 4,5 e 7 “, tal indicação apresenta-se como uma tarefa bem planeada;

- "estudar a página 35", a referida tarefa não está bem planeada, porque não é suficientemente concreta;

- "ler da página 20 à 60”, a referida indicação também não está bem planeada, porque a tarefa é muito longa, pouco estruturada e tem caráter de longa duração, ou seja, leva muito tempo.

  1. Leitura de textos e recolha/seleção de dados

- Ao ler um texto para a escola/estudo, o seu filho deve utilizar sempre um marcador ou um lápis;

- Se para o seu filho for difícil marcar/ sublinhar/ assinalar apenas as informações mais importantes, tente fazer o oposto. Isto é, deixe-o apagar as informações não importantes até que fiquem apenas as palavras mais importantes. Desta forma, em vez de decidir o que é importante, eliminamos o que não é importante.

- Peça-lhe que marque a palavra mais importante ou o conjunto de palavras mais importantes, em alguns casos, numa caixa ou com uma cor diferente. Assim, quando for reler, é mais fácil para o seu filho concentrar-se apenas nas palavras marcadas que representam o assunto.

  1. Resumo de informações

- Em vez de pedir ao seu filho para resumir as informações num texto, peça antes, para construir um mapa mental. Um mapa mental é um diagrama para organizar a informação visualmente;

- Na realização do resumo/mapa mental, peça ao seu filho para começar no meio da página, com o conceito central;

- Deixe-o utilizar símbolos/imagens para os conceitos principais. Os símbolos/imagens ao lado das palavras ajudam a processar a informação;

- Deixe-o utilizar várias cores no mapa mental, para estimulação visual e também para codificar ou agrupar a informação;

  1. Memorizar informações com pistas visuais

- Peça ao seu filho para resumir as informações mais importantes, aquelas que necessita de memorizar, utilizando apenas desenhos/símbolos. Não escreva palavras. Os desenhos e símbolos servem como pistas visuais para a informação que deve recordar. Quando terminar, deve ter um mapa mental totalmente visual ou quase como uma página de um livro de banda desenhada;

- Treine com o seu filho, até que ele consiga referir/mencionar todas as informações, que deve memorizar, olhando apenas para os desenhos/símbolos, sem recorrer ao texto;

- Esta estratégia ajuda a construir/formar e consolidar ligações/relações mentais entre as novas informações que deve aprender e o conhecimento prévio. Pode ser bastante útil para disciplinas como ciências e história.

  1. Memorize a informação interligando-a

- Ajude o seu filho a memorizar a informação necessária, construindo uma história com a mesma;

- Não importa se a história que criou seja irreal ou engraçada, o importante é que cada elemento da mesma esteja logicamente ligado/relacionado com o próximo;

- Esta estratégia apresenta-se como uma forma muito mais rápida de memorizar informações, e torna mais fácil o armazenamento da informação na memória de longo prazo.

 

  1. Criar bons hábitos

- Ajude o seu filho, a planear e acompanhar o seu progresso por escrito. Não só o irá ajudar a ver o seu plano com mais clareza como também irá fortalecer o seu compromisso com o objetivo;

- Se iniciar uma tarefa para o seu filho, for difícil (começar a estudar para um teste, por exemplo), tente fazê-lo por etapas:

Passo 1) ajude-o a preparar todo o material que vai precisar: abra o livro na página certa, abra o caderno, prepare uma caneta, etc., mas não comece a trabalhar ainda;

Passo 2) determine, em conjunto, uma altura do dia para iniciar a tarefa. Por exemplo: o seu filho vai começar, logo assim, que chegar a casa da escola ou só depois de lanchar ou de brincar um bocado. Mediante a opção escolhida, é importante respeitá-la e segui-la à risca sem pretextos de evasão.

Artigo publicado pelo Sei – Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem.