Sempre que se calçam sapatos com salto alto, estamos a imprimir à nossa bacia uma inclinação anterior da qual resulta, por compensação, aumento da curvatura da coluna lombar para reequilibrar a coluna. Consequentemente resulta num aumento de pressão nas facetas articulares e distração do disco intervertebral localizado anteriormente. Esta situação envolve, também, alterações nas ancas (aumentando a sua carga em extensão) e nos joelhos (maior flexão na marcha).

A sua manutenção por algum tempo ou frequência acaba por originar o aparecimento de dor, inicialmente de origem muscular e mais tarde devida a desgaste das estruturas acima referidas (facetas articulares e disco intervertebral). Este processo não se desenvolve da mesma forma para qualquer tipo de “salto alto”, estando relacionado com a dimensão do salto e o seu tempo de utilização.

Na mulher grávida o centro de gravidade vai-se deslocando posteriormente para contrabalançar o peso da barriga. Resulta um processo de sobrecarga das facetas articulares semelhante à compensação necessária à inclinação anterior da bacia referida no parágrafo anterior. Se nesta situação ainda lhe introduzirmos o fator “salto alto” corremos o risco de esgotar a capacidade de compensação para uma posição ortostática correta.

Mais facilmente as lombalgias se instalam com a agravante de nem sempre a mulher grávida poder tomar qualquer tipo de medicação antálgica logo mais limitada no controle da dor, frequentemente só o conseguindo através de repouso no leito com compromisso da sua funcionalidade.

Sem pretender participar em nenhuma cruzada contra a utilização de sapatos com determinadas características, achamos conveniente alertar para as alterações biomecânicas inerentes a ambas as situações, evidenciando o aspeto cumulativo que podem ter se não houver bom senso na utilização do chamado “sapato de salto alto”.

Os conselhos são do médico Eduardo Pegado, especialista em Ortopedia