Esta manifestação de interesse, segundo Queila Soares, foi evidenciada durante a campanha intitulada “Família de acolhimento”, lançada no mês de maio sob o lema “Acolher é proteger. Sua família pode fazer a diferença”, com vista a sensibilizar as pessoas/famílias para o acolhimento familiar, possibilitando às crianças oportunidade de ter uma família,  quebrar o estigma sobre “crianças do ICCA”, uma vez que “todos merecem e têm direito” à convivência familiar.

Queila Soares explicou que o acolhimento familiar é uma prestação de ação social que consiste em fazer acolher transitória e temporariamente, por famílias consideradas idóneas para a prestação desse serviço, crianças e jovens cuja família natural não esteja em condições de desempenhar a sua função socioeducativa.

“A nossa campanha, cujo projeto continua, teve bastante adesão e durante esse mês identificamos no nosso link https://familiadeacolhimento.typeform.com/to/wtc9N7, quatro inscritos da cidade de Santa Maria, além de muitas outras manifestações de interesse”, disse, acrescentando que o projeto que existe há alguns anos já permitiu acolher, provisoriamente, várias crianças em situação de risco no seu ambiente familiar.

“Porém, com o tempo, sem a reestruturação da família biológica, muitas dessas crianças acabaram por ser tuteladas pelas famílias de acolhimento, outras até adotadas ou em processo de adoção. A ideia dessa campanha é de também criar uma base de dados sobre possíveis agregados familiares interessados em acolher crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade”, referiu.

Face à manifestação de interesse e vontade de pessoas em adotar crianças, Queila Soares disse que se deixa claro, entretanto, que o acolhimento familiar não é um processo definitivo para a adoção.

“Explica-se, que se trata de uma ação social sem interesses futuros, um apoio no sentido de dar um lar acolhedor, transitório e temporariamente, em vez de a criança ficar no centro. Acreditamos que a família de acolhimento é uma alternativa a um possível internamento da criança no centro de emergência”, disse.

“Informamos e preparamos estas famílias a nível emocional e social, como devem oferecer, realmente, um ambiente familiar em substituição, para que a criança se sinta, de facto, amparada”, acentuou a responsável, esclarecendo que a família de acolhimento não tem preferência para a idade ou sexo, beneficiando tão-somente crianças ou adolescentes com idade inferior a 14 anos, afetados no seu desenvolvimento físico, psíquico ou moral.