Chama-se Baby Led Weaning (BLW) e é um tipo de alimentação complementar em que os pais decidem que alimentos sólidos vão dar ao bebé, mas é este quem escolhe o que come (de entre a oferta disponível) e em que quantidades. Isto implica que a criança se sente à mesa com a família para e que lhe seja dada a mesma refeição (saudável) que ao resto dos presentes, cabendo ao bebé usar as mãos, e só mais tarde os talheres, para se alimentar. Neste leque de produtos alimentares surgem já o pão, arroz, massas, fruta, leguminosas, carne, peixe, ovos e frutos secos moídos. Sim frutos secos. Esta é outra novidade.

Estranho? Talvez, mas são as novas recomendações da Associação Pediátrica Espanhola. Estão reunidas em 13 páginas e compõe o guia da Alimentação Complementar do Lactente Amamentado, o qual, de alguma forma, revoluciona o processo clássico de desmame do bebé.

Isto porque, em vez dos pais irem introduzindo novos alimentos semana a semana, por exemplo a sopa, a criança começa a comer muito cedo o mesmo que a família e na quantidade desejada.

Os pediatras e nutricionistas acreditam que esta nova forma de alimentação pode evitar diversas complicações: “Não há provas científicas de que se deva atrasar a introdução de alimentos potencialmente alergénicos – como ovos, peixes, nozes, laticínios, leguminosas e todos os tipos de frutas – para além dos seis meses,” defendem os responsáveis da associação pediátrica. “Ao contrário do que se acreditava, alguns estudos indicam que privar as crianças desses alimentos pode aumentar o risco de alergia”.

O BLW é aconselhado a partir dos seis meses de idade, independentemente de o bebé ser ou não prematuro. “Seis meses é uma idade que garante que o corpo do bebê tem maturidade suficiente a nível neurológico e gastrointestinal e também no que toca ao sistema imunológico”, explica o documento citado pelo El País.

O mesmo estudo refere ainda que “qualquer bebé está pronto para iniciar esta experiência quando adquire habilidades psicomotoras que lhe permitam manejar e engolir com segurança os alimentos”. Fazê-lo mais cedo, alertam os especialistas, poderia ter consequência graves, como a asfixia, e fazer aumentar o número de alergias alimentares ou intolerância ao glúten, entre outras complicações.

No caso da fruta, este relatório aconselha a ser comida em pedaços e, lentamente e desaconselha que se deem sumos a crianças com menos de um ano.

Benefícios do BLW segundo os pediatras espanhóis

  • Promove a alimentação percetiva baseada em sinais de fome e saciedade da criança, conforme recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
  • Estimula um relacionamento saudável com a comida.
  • Tem sido associado a maior autonomia e desenvolvimento psicomotor.
  • A maioria das famílias aproveita mais a refeição em conjunto.

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