Nesta época, os jardins encontram-se maioritariamente despidos de folhas ou com o verde de fundo das plantas que mantêm a sua folhagem, como por exemplo coníferas, pinheiros, cedros, abetos e algumas folhosas. Temos para contemplar as flores das urzes, as estrelas-de-natal e as folhagens encarnadas de algumas plantas, como a fotínia que pelos seus tons fortes se distinguem do nostálgico que marca o início do inverno.

Esta é uma quadra mágica, que os mais pequenos adoram, durante a qual se prepara e ornamenta o pinheiro de Natal, se apanha musgo para embelezar o presépio e se fazem os arranjos natalícios com o tradicional azevinho e as coloridas estrelas-de-natal. Dentro de casa e fora de portas, também são muitas as coroas coloridas, muitas delas repletas de fores da época. Veja, de seguida, algumas das mais comuns.

O vermelho intenso da estrela-de-natal

Para uns, é a estrela-de-natal, mas também há quem, nalguns países, a apelide de manhãs-de-páscoa. A Euphorbia pulcherrima Willd. ex Klotzxch é um arbusto perene, originário da América Central e do México. A floração ocorre geralmente no inverno. É de cor encarnada, verde clara, branca e cor de laranja. Há brácteas que são folhas mas que parecem flores. Da família das Euphorbiaceae, pode atingir até três metros.

As flores que tornam o Natal (ainda) mais colorido

A propagação é feita por estaca, sendo a época de plantação ideal a primavera, para que possa florescer nesta altura. Em termos de condições de cultivo, a estrela-de-natal prefere meia sombra e um solo fértil e bem drenado. Não gosta de sol direto, nem de frio e precisa de estar abrigada do vento. No que se refere à manutenção, adube-a e regue-a com regularidade. Depois do Natal, caso tenha a planta em vaso, guarde-a em casa.

Preserve-a, preferencialmente, protegida do frio, durante pelo menos cerca de 10 semanas. Plante-a no jardim só no inicio da primavera. Se seguir estas recomendações à regra, é muito provável que consiga mantê-la por mais tempo. Por esta altura, em muitos dos coloridos e animados mercados de Natal da Europa, são muitas as que decoram bancas e stands. Se faz alergia ao látex, não deve tocar nas folhas desta planta.

O encanto da urze

Urze é o nome vulgar de diversas plantas da família Ericaceae, dos géneros Erica e Calluna. Aparecem como espontâneas em terrenos pobres em cal e destacam-se pelas suas flores de cor branca ou cor de rosa. As espécies existentes em Portugal são muito comuns e encontram-se em todo o país, mas aparecem principalmente nas zonas altas de granito a norte. Contudo, esta espécie chega até às ilhas da Madeira e de Porto Santo.

As flores que tornam o Natal (ainda) mais colorido

A Calluna sp. tem uma altura que pode ir até aos 0,4 metros. A propagação é feita por estaca ou por semente, sendo a época de plantação indefinida, uma vez que pode ser feita em qualquer altura do ano. No que se refere às condições de cultivo, esta planta gosta de sol e de solos com boa drenagem mas com alguma humidade, idealmente ricos em matéria orgânica. Para além disso, prefere solos com alguma acidez.

A urze, que a fadista Amália Rodrigues cantou no fado "Povo que lavas no rio", onde faz referência a "aromas de urze e de lama", não gosta de solos secos e precisa de estar abrigada do vento. No que se refere a outra das suas exigências, esta planta não precisa de grandes cuidados de manutenção especiais. Apenas limpeza de folhas, flores e ramos secos. Pela facilidade, pode ser uma opção a considerar para o seu jardim.

A folhagem colorida da fotínia

Photinia x fraseri Dress é o nome científico da fotínia, um arbusto de folha perene, originário do Japão e da China. Caracteriza-se por uma folhagem verde com os seus rebentos novos encarnados e flores brancas na primavera. Pode ser utilizado como arbusto isolado, em sebe talhada ou livre. Da família das Rosaceae, pode ter uma altura até cinco metros. Propaga-se por estaca e pode ser plantada em qualquer altura.

As flores que tornam o Natal (ainda) mais colorido

Em termos de condições de cultivo, esta planta prefere sol ou meia sombra e desenvolve-se melhor em solos bem drenados com matéria orgânica disponível e um pH neutro ou ligeiramente alcalino. No que se refere à sua manutenção, esta variedade botânica não precisa de muita rega nem tratamentos especiais. Se pretendermos que acentue a sua folhagem encarnada devemos podá-lo com frequência.

O eterno simbolismo do azevinho

Arbusto ou árvore perene que pode atingir até 20 metros de altura, o Ilex aquifolium L., nome científico do azevinho, é uma variedade botânica de crescimento lento. É originária da Europa Ocidental e da Europa Meridional, do norte de África e da Ásia Ocidental até à China. Habita preferencialmente em carvalhais e nas margens de cursos de água. É uma planta frequente em jardins e parques em Portugal continental.

Muito utilizada como ornamento natalício pelos seus frutos vermelhos e carnudos e pelas suas folhas coriáceas (duras) com recortes muito característicos, é um dos símbolos da quadra natalícia. Tanto os frutos como as folhas são tóxicos. A sua madeira, devido à dureza, é muito procurada para marcenaria. Da família das Aquifoliaceae, propaga-se por estaca e deve ser preferencialmente plantada no outono.

As flores que tornam o Natal (ainda) mais colorido

No que se refere a condições de cultivo, prefere a meia sombra ou até mesmo a sombra. Precisa de solos férteis e bem drenados. Dá-se bem em todos os solos exceto os calcários, prefere os graníticos e siliciosos. O azevinho não precisa de manutenção especial. Adubação anual. Pouca rega. Esta é uma espécie protegida por lei, segundo o Decreto-Lei nº 423/1989, de 4 de dezembro, pelo que a sua apanha é proibida.

Texto: Ana Luísa Soares (arquiteta paisagista e professora) e Luis Batista Gonçalves (edição digital)

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