Há especialistas que garantem que, em 2050, haverá mais gente a ter sexo com robôs do que com outras pessoas. Matt McMullen, diretor-geral de uma empresa fabricante de androides, está mesmo convencido que estes seres desprovidos de alma poderão ajudar os humanos a melhorar aptidões sexuais. Vânia Beliz, sexóloga e autora do livro «Ponto Quê? – Prazer no feminino», publicado pela editora Objectiva, comenta o assunto.

O que está na base do sexo virtual?

A procura constante pelo prazer. As pessoas querem fazer sexo e apareceram redes sociais em que quase não querem saber o nome das outras. De repente, passou a haver uma quantidade de ferramentas que dão aso a comportamentos mais impulsivos, à transgressão de regras.

Os teledildonics e a realidade virtual vão mudar a forma como fazemos sexo?

Acredito que possam vir a mudar a forma como nos autoestimulamos, porque existem várias fantasias que as pessoas têm dificuldade em realizar com o seu parceiro. A realidade virtual servirá para fazer algo que não está ao nosso alcance, no dia a dia. Por exemplo, experimentar estar com alguém de outra raça ou etnia, num cenário que a pessoa idealiza...

Há perigo de estas tecnologias isolarem as pessoas?

Favorecem comportamentos mais distanciados. Acho que poderão isolar o ser humano e desculpabilizá-lo. A partir do momento em que passamos a achar que o que interessa é a satisfação imediata… Assusta-me a banalização do sexo, porque é um comportamento supostamente íntimo, com características que fazem dele uma coisa especial para as pessoas que o praticam.

Serão assim tantos os indivíduos a preferir sexo virtual?

Não creio que a realidade virtual venha substituir a relação entre os seres humanos. Isso seria mau do ponto de vista da reprodução. Mas existem muitos indivíduos que não se conseguem relacionar com outros, bem como pessoas que não têm tanta facilidade em conseguir parceiro, e estas tecnologias podem ajudar.

Continuará a existir intimidade?

A intimidade é um conceito abrangente. Isto vem criar outro tipo de intimidade, diferente daquela que experimentamos quando nos relacionamos com o ser humano.

Texto: Filipa Basílio da Silva com Luis Batista Gonçalves (edição online)

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