Vanilde Furtado: “O objetivo é que em 2030 as mulheres e as meninas vivam num mundo sem violência”

Assinala-se neste sábado, 25, o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher.

Coordenadora da ONU Mulheres Cabo Verde

A ONU Mulheres Cabo Verde vai lançar amanhã, 25, Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher, a campanha “16 Dias de Ativismo”, uma mobilização internacional contra a violência baseada no género.

Em Cabo Verde, a iniciativa que este ano acontece sob o lema “Não deixar ninguém para trás: acabar com a violência contra as mulheres e meninas” é uma parceria com o Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade do Género (ICIEG).

Segundo a coordenadora da ONU Mulheres em Cabo Verde, Vanilde Furtado, com base nos dados do inquérito sobre a saúde sexual e reprodutiva de 2005 uma em cada cinco mulheres cabo-verdianas, dos 15 aos 49 anos, é vítima de violência por parte dos companheiros ou ex-companheiros.

“Um Cabo Verde desenvolvido é um Cabo Verde livre de violência”

“Os números apontam que esta tendência continue com alguns picos, em alguns anos sobe e em outros desce, ligeiramente, e pode estar associada a vários fatores. São dados suficientemente graves e que nos devem portanto alertar e levar-nos à ação porque de facto um Cabo Verde desenvolvido é um Cabo Verde livre de violência”, afirmou a mesma fonte e acrescentou que uma das áreas prioritárias de paceira e cooperação da ONU é o combate à violência.

Neste sentido, a ONU Mulheres em Cabo Verde, em parceria com alguns parceiros sociais como é o caso do ICIEG, no sentido de atingir grupos de mulheres em situações de vulnerabilidade duplas ou com comportabilidade em termos de dificuldades e desigualdades de oportunidades, vão levar a campanha “16 Dias de Ativismo” as escolas, comunidades e vão estar com grupos de meninas em vários concelhos do país.

De acordo com Vanilde Furtado, a violência e as desigualdades também afetam os homens. “O machismo acaba por afetar os homens e temos que reconhecer, sem pudor, que o machismo prejudica e causa sofrimento e até a morte. É preciso quebrar o silêncio e reconhecer que o machismo prejudica de forma particular as mulheres, mas também os jovens e toda a sociedade. Não chegaremos a um mundo e um Cabo Verde que queremos, se não acabarmos de vez com esta questão da violência contra as mulheres”, salientou, realçando que a conscientização é fundamental.

Segundo a coordenadora da ONU Mulheres em Cabo Verde, o objetivo é que “em 2030 as mulheres e as meninas vivam num mundo sem violência”.

A nível mundial, existem três tipologias de violência: Física, que em Cabo Verde vulgarmente é chamada de violência doméstica, sexual e psicológica, e abrange ainda o tráfico humano e a mutilação genital.

“É seguro que em Cabo Verde a nossa tendência é falar sobretudo na violência que afeta as mulheres no quadro de relações de intimidade, portanto, a violência que é perpetuada por parceiros ou ex-companheiros, mas há muito além disso, a violência sexual, o assédio sexual, que é uma temática muito atual e que acontece com todas as mulheres de diferentes classes sociais e idades. Portanto, desde tenra idade as meninas são vítimas de assédio sexual na rua, nas escolas, em casa e mais tarde no local de trabalho ”, salienta.

Quanto às questões ligadas à mutilação genital feminina, de acordo com os dados da ONU Mulheres, cerca de 133 milhões de mulheres e meninas foram alvo de mutilação genital em 19 países de África e Médio Oriente, onde esta prática é mais frequente. “A mutilação genital é uma temática que ainda não abordamos no país, mas há indícios no nosso dia-a-dia que nos recomendam a aprofundar e investigar essa questão”, salienta.

Café Laranja

Já no que se refere ao tráfico humano, Vanilde Furtado diz: “ Sabemos que 71% das pessoas traficadas são mulheres e crianças e entre as mulheres a esmagadora maioria, 90%, é para fins de exploração sexual. Cabo Verde não está livre das questões ligadas ao tráfico humano, aliás devemos começar a estudar e a identificar a situação do país relativamente ao caso de tráfico transnacionais”.

É de realçar que de 25 de novembro a 10 de dezembro decorre no país a campanha internacional “16 Dias de Ativismo” que foi criada em 1991.

A campanha UNA-SE reune vários governos a nível mundial, escritórios das Nações Unidas, a sociedade civil e organizações em todo o mundo para “Pintar o Mundo de Laranja” como forma de sensibilizar o público sobre a questão da violência contra mulheres e meninas.

No âmbito da campanha, a ONU Mulheres de Cabo Verde têm agendadas várias atividades que irão ampliar a conscientização e agir pela eliminação da violência contra as mulheres e as meninas no país.

Café Laranja

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