Suicídio aumentou 60% nos últimos 45 anos

Por dia, em média, em todo o mundo, são 3.000 as pessoas que decidem acabar com a sua vida. A tendência é crescente. Em 2020, estima-se que esse número ascenda a 1,5 milhões.

Todos os dias, 3.000 pessoas no mundo cometem suicídio. Como chegam à mais trágica e irreversível de todas as decisões permanece um desconcertante mistério, até porque cada caso é um caso e as razões de uns podem não ser as mesmas de outros. Mas há quem veja a luz ao fim deste funesto túnel. Em agosto de 2014, Robin Williams tomou a decisão irremediável de por termo à sua vida. Em julho de 2017, foi o cantor Chester Bennington.

A evidência de uma depressão, decorrente de uma patologia bipolar, uma recaída alcoólica e o diagnóstico recente da doença de Parkinson fazem parte do conjunto de justificações possíveis para tão tremendo ato. Contudo, por muito que se diga, por muito que se saiba, apenas os suicidas conhecem os lugares sombrios que os habitam no tempo que lhes antecede a morte. Mas não morreram sozinhos.

Os números, elevados, impressionam. Nos últimos 45 anos, em todo o mundo, aumentou 60%. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), suicidam-se, por dia, 3.000 pessoas. Uma a cada 40 segundos. E, por cada pessoa que se suicida, 20 ou mais cometem tentativas de suicídio. Estima-se que, em 2020, o número de suicídios atinja 1,5 milhões por ano. Porquê? Fomos à procura de respostas.

O que leva ao suicídio

Definido pela OMS como um ato deliberado, iniciado e levado a cabo por um indivíduo com pleno conhecimento ou expectativa de um resultado fatal, o suicídio é, possivelmente, o ato mais perturbador e intrigante do ser humano. Normalmente, o suicídio é equacionado como a forma de acabar com uma dor emocional insuportável causada por variadíssimos problemas, sendo frequentemente considerado como um pedido de ajuda.

As razões que levam o indivíduo a violar o instinto primário da sobrevivência são difíceis de compreender. As teorias recentes defendem que pode haver uma predisposição indivídual para o suicídio, que é ativada, ao longo da vida, por experiências negativas precoces (experiências traumáticas) que vão dar origem a um padrão de pensamento negativo. Os números apontam-nos um grande culpado.

Mais de 50% das pessoas que se suicidaram sofriam de depressão. Contudo, José Manuel Temóteo, psiquiatra, explica que o quadro depressivo não está sozinho no banco dos réus. «O suicídio pode constituir uma reação de inadaptação a uma mudança ou um ato de vingança que sublinha o rancor», afirmou em declarações à revista Saber Viver. Os cinco mil suicídios registados aquando da tomada de Berlim, no fim da Segunda Guerra Mundial, são disso exemplo.

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