Nações Unidas: Coordenador da campanha “Livres & Iguais” diz que homofobia e transfobia é uma realidade em Cabo Verde

O coordenador da campanha das Nações Unidas, “Livres & Iguais” , pela igualdade das pessoas LGBTI, no país, disse hoje à Inforpress que a existência de homofobia e transfobia é uma realidade muito visível em Cabo Verde “e não se pode negar isso”.

Samory Araújo fez essas considerações em entrevista à Inforpress a propósito do Dia Internacional contra a Homofobia e a Transfobia, que se assinala a 17 de maio sob o lema “O Amor faz uma Família” com o enfoque nos objetivos da Agenda 2030.

Araújo, que afirma ser este o retrato do país, diz que a sua afirmação se baseia nas queixas existentes junto das autoridades policias por parte da comunidade LGBTI, pela discriminação, pelo mau atendimento em locais públicos e pelo bullying (prática de atos violentos) a que estão sujeitos constantemente.

“Cada saída à rua é uma luta por parte das pessoas do LGBTI, que têm de enfrentar discriminação por aquilo que são. Por este motivo é necessário comemorar a data, precisamente porque num dia como hoje, a OMS decidiu retirar a homossexualidade da lista das doenças mentais e tratá-la como uma expressão da vida humana saudável”, enfatizou.

Para Samory Araújo, o facto de a comunidade LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Intersexual) ter vindo a aumentar no país, levou a que a data fosse assinalada com o lançamento oficial do vídeo protagonizado pela cantora brasileira Maria Gadú a favor da comunidade.

Na ocasião, a representante residente do sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, Ulrika Richardson, que leu a mensagem da organização alusiva a data, apelou a uma maior proteção de crianças e de adolescentes transgêneros, para que não sofram “discriminação, exclusão, violência e estigma”.

As recomendações da ONU quanto a data, vai no sentido de os governos adotaram leis que protejam os direitos, respeitando a diversidade de gênero, e permitindo que essas pessoas LGBTI alcancem todos os seus potenciais.

Destacam ainda a importância de um ambiente familiar que apoie os transgêneros, ou seja, as pessoas que não se identificam com seu gênero de nascimento

A celebração do Dia Internacional de Luta contra a Homofobia e Transfobia e do Dia Nacional contra a Homofobia e Transfobia, ancora-se na retirada da homossexualidade da “Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde”, da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 17 de maio de 1990.

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