Maria Teresa Segredo: Ativista social que há 16 anos ajuda Cabo Verde

Maria Teresa Segredo completou, quarta-feira, 50 anos e aproveitou a data para fazer um balanço do seu percurso como activista social ao serviço de Cabo Verde, que ela apelida de “grãozinhos de conta” no meio do atlântico.

Presidente da Fundação Amigos do Paúl na Holanda

créditos: RTC

Um percurso de 16 anos a ajudar o seu país, mas, sobretudo, a sua ilha natal, Santo Antão, onde, em 2006, concretizou o seu “primeiro sonho”: a construção do lar de idosos do Paul, concelho de que é natural.

Maria Teresa Segredo, radicada na Holanda, onde exerce a profissão de enfermeira, emigrou para os “países baixos” com apenas 16 anos e, há mais de uma década e meia, tem dedicado o seu tempo livre a Cabo Verde, apoiando escolas, protegendo crianças em situação de risco, promovendo a formação profissional e o micro-crédito e desenvolvendo iniciativas ligadas à protecção ambiental.

Preside, há 15 anos, à Fundação dos Amigos do Paul na Holanda, mas antes já apoiava Cabo Verde, designadamente a ilha onde nasceu, onde, durante esse tempo, disse ter concretizado “vários sonhos”.

O primeiro sonho foi a criação do lar de idoso na cidade das Pombas e o segundo teve a ver com a dinamização da escola de formação profissional “Totone”, também no Paul, estabelecimento que já formou dezenas de jovens nos vários domínios, muitos dos quais já integrados no mercado de trabalho.

O terceiro sonho aconteceu mais recentemente com a abertura do centro de emergência infantil em Janela, frequentado, neste momento, por mais de 40 crianças oriundas de famílias de fracos recursos.

O mais recente sonho foi realizado em 2017: a montagem de uma unidade de produção de azulejos através de reciclagem de plásticos “um grande projecto”, o primeiro em Cabo Verde, que tem por finalidade proteger o ambiente.

“É um grande projecto que já está a gerar empregos (sete jovens formados na escola ‘Totone’ trabalham nessa fábrica) e, ainda em Janeiro, começa a colocar o produto no mercado.

Maria Teresa Segredo completou 50 anos no dia (quarta-feira) que ela resolveu, há 16 anos, dedicar a Cabo Vede.

Ou seja, as quartas-feiras são dedicadas, exclusivamente, para tratar de “assuntos” ligados a Cabo Verde e, por “coincidência feliz” veio a Cabo Verde comemorar, justamente numa quarta-feira, o meio século de vida, com um programa que começou com uma visita ao centro de emergência infantil, em Pontinha de Janela, baptizado com o seu nome, onde almoçou com as crianças e distribuiu kits escolares.

O dia terminou com um convívio de aniversário com a presença do edil do Paul, António Aleixo, e de amigos provenientes de toda a ilha, em que reafirmou o propósito de continuar a ajudar Cabo Verde, “os dez grãozinhos de conta” que disse tanto amar.

Para 2018, Maria Teresa Segrego disse ter “muitas surpresas” para Santo Antão, ilha que vai ajudar a promover-se como “destino turístico e de investimentos”, graças a algumas parcerias já conseguidas, nomeadamente com um destacado canal televisivo holandês, que está, neste momento, em Santo Antão.

Além disso, conseguiu já mobilizar cerca de 300 mil euros (33 mil contos) para a construção de uma nova capela em Janela e disse ainda ter já “financiadores” assegurado para o aproveitamento da água que se perde nas ribeiras da “ilha das montanhas”.

Tem na forja um outro projecto de instalação de energias renováveis para a bombagem de água e produção de água dessalinizada para a agricultura em Santo Antão.

“São algumas das grandes surpresas que já tenho para Santo Antão e Cabo Verde para 2018”, avançou Segredo, prometendo continuar a apoiar o sector da educação em Cabo Verde.

As autoridades municipais reconhecem o papel que esta “grande activista social” tem exercido em prol do Paul e da ilha de Santo Antão, tendo sido agraciada, em 2006, pela edilidade paulense que, em 2012, entregou-lhe a chave da cidade das Pombas.

No ano transacto, foi nomeada para a categoria de “mulher do ano” pela gala “Somos Cabo Verde”.

O próprio Governo de Cabo Verde tem estado a exaltar a acção desta activista santantonense radicada, há mais de três décadas, na Holanda, devendo, em breve, ser condecorada pelo Presidente da República.

Na Holanda, Maria Teresa Segredo, que já havia sido condecorada pela Rainha Beatriz, ainda antes desta ter passado o trono ao filho Willem-Alexander, com a ordem de Orange-Nassau, símbolo da família Real, voltou a ser distinguida a 25 de Abril de 2014, desta feita pelo Rei com o título “Honra Real”.

Esta distinção ocorreu por ocasião do primeiro aniversário do reinado de Willem-Alexander, juntamente com mais três cidadãos holandeses, sendo ela a única estrangeira, que também se destacaram em suas áreas de actuação.

Maria Teresa Segredo
créditos: Inforpress

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