Humanização dos animais domésticos é negócio de milhões

Liftings e botox para cães, massagens, tratamentos estéticos e até consultas no psiquiatra. Apesar das críticas dos defensores das mascotes, a (nova) realidade continua imparável.

Quando pensávamos que levar o caniche ao psicólogo para o ajudar a ultrapassar problemas de stresse era a última tendência nos cuidados com os animais de estimação, um reputado brasileiro, Edgard Brito, surpreendeu o mundo ao adaptar técnicas de cirurgia estética humanas ao mundo animal. Este cirurgião plástico utiliza as suturas reabsorvíveis para corrigir as orelhas deformadas ou excessivamente descoladas dos Terrier e outras raças caninas.

Além dessas, Edgard Brito recorre também ao botox para melhorar o aspeto das pálpebras caídas dos Shar Pei. Esta está, contudo, longe de ser uma prática única. Nos últimos anos, aumentou a oferta de tratamentos que recorrem a liftings, injeções de botox e implantes para alterar a aparência dos animais. Nos EUA e no Brasil, sobretudo, a lista de intervenções propostas por muitas clínicas veterinárias não para de aumentar.

Os pedidos incluem, além da colocação de piercings e da realização de tatuagens, lipoaspirações, liftings faciais, remodelação de orelhas e ainda implantes de vários tipos, incluindo implantes testiculares caninos em silicone, um dos mais requisitados. Em 2011, segundo vários analistas, este mercado já representava 52,7 milhões de euros, com alguns dos procedimentos a atingir valores entre os 2.500 € e os 4.000 €.

As críticas dos defensores dos animais

De lá para cá, a procura não diminuiu. Várias associações de proteção dos animais têm vindo a público criticar este tipo de procedimentos. Nicole Malliotakis, uma republicana eleita pelo Estado de Nova Iorque, propôs mesmo uma lei que proiba tal tipo de práticas. «Estas operações cosméticas não-médicas não são apenas bizarras e desnecessárias. Podem mesmo ser classificadas de cruéis», condena.

«O mercado dos animais domésticos tem-se transformado à medida que os bichos vão sendo humanizados», criticou também David Sprinkle, diretor de pesquisas da empresa MarketResearch.com, em declarações ao jornal norte-americano The New York Times, em fevereiro de 2017. Em Nova Iorque, há donos de mascotes que gastam 6.500 € em tratamentos estéticos, massagens e até consultas de psiquiatra com os animais.

Texto: Luis Batista Gonçalves

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