Falta material escolar em Luanda. As escolas precisam de mais 20.000 carteiras

As escolas do município de Luanda precisam de pelo menos 20.000 carteiras face às necessidades já identificadas, com as autoridades a lamentarem a situação de carência em que milhares de alunos estudam, mas que atribuem à crise económica.
créditos: ANTÓNIO SILVA/LUSA

A informação foi hoje avançada à agência Lusa pela diretora da Educação do município de Luanda, Joana Torres, que aponta a crise que afeta Angola desde finais de 2014 como o grande entrave na materialização das ações, num dos mais populosos municípios do país, com mais de um milhão de habitantes.

"Neste preciso momento, o município de Luanda precisa de 20.000 carteiras. E porque este ano, no nosso quadro resumo, não vem dinheiro para comprar carteiras, a situação estará condicionada. Não há liquidez financeira atendendo à situação que se vive agora no país, mas estamos a fazer tudo para que este quadro mude", apontou.

Caderno sobre o joelho

Foi notícia na terça-feira que alunos da escola primária 1127, no distrito urbano do Sambizanga, no centro de Luanda, assistem às aulas apoiando o caderno no joelho ou na parede, precisamente devido a falta de carteiras. A escola leciona em dois turnos, deste a iniciação ao sexto ano, e tem oito salas de aulas com a maior parte das carteiras danificadas, cenário que se repete por vários estabelecimentos escolares de Luanda, como relatam os professores. Joana Torres afirmou estar a par da situação e admitiu tratar-se de um cenário que se regista em "grande parte das escolas de Luanda".

Numa turma com mais de 45 alunos, na escola 1127, grande parte dos mesmos partilham as poucas cadeiras que ainda resistem ao tempo, mas o recurso ao joelho ou à parede para anotar os apontamentos dos professores é um exercício diário e sobretudo doloroso, conforme relatam os alunos.

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