Julian Huxley, biologista britânico, foi um dos primeiros a usar o termo. «Precisamos de um nome para esta nova crença», escreveu em 1957. «Transumanismo serve porque o homem continua a ser o homem mas transcendendo-se graças às novas possibilidade de e para a sua natureza humana», defendeu. Na década de 1980, nos EUA, foram muitos os transumanistas que se começaram a reunir em encontros formais na Universidade da Califórnia.

Os mais clássicos e tradicionalistas ficam em pânico com a ideia de um homem convertido em robô a viver numa sociedade de máquinas e dispositivos eletrónicos. Francis Fukuyama, um dos críticos do movimento, autor do livro «Our Posthuman Future: Consequences of the Biotechnology Revolution», «O Nosso Futuro Pós-Humano: Consequências da Revolução Biotecnológica» em tradução literal, é um deles.

Tal como outros contestatários desta ideologia, teme que, a dada altura, se procurem erradicar as características negativas do ser humano através de manipulações genéticas que podem acabar com o que os seres humanos são hoje. «Se não fossemos violentos e agressivos, não nos conseguiríamos defender. Se não tivessemos sentimentos de exclusividade, não seríamos leais e, se não sentissemos inveja, nunca amaríamos», contrapõe.

Bill McKibben é outro dos críticos. O ambientalista e ativista teme uma (ainda) maior segregação social. «Se não podemos gastar 50 cêntimos por pessoa para comprar redes mosquiteiras para as camas das pessoas que correm risco de contrair malária em África, é muito pouco provável que se consigam generalizar estas pretensões», alerta. Ainda assim, o movimento está em marcha. Os próximos anos serão decisivos.

Texto: Luis Batista Gonçalves