Como viver as melhores férias da sua vida em Cabo Verde

Sucederão três coisas importantes durante as melhores férias da sua vida em Cabo Verde:

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créditos: Foto@Nuria ao Natural

Primeiro: Sentirás tão em casa que não irás querer sair de lá tão cedo. Talvez nunca.

Segundo: Apaixonarás profundamente.

Terceiro: Começarás a acreditar que se pode viver bem nas ilhas; como fotógrafo, pescador, professor de mergulho, tradutor, guia de turistas, comerciante, professor de línguas, agricultor ou vendedor de gelados e sorvetes nas praias, etc.

Essas três experiências ou melhor dito, revelações, fazem parte da viagem.  Não há como fugir do efeito de Cabo Verde.  Agora explicar tudo isso aos seus queridos familiares já é outro tema.

Vamos às melhores férias de sempre nas ilhas de Cabo Verde?

Como muitos, eu viajei para Cabo Verde para concretizar o meu sonho de redescobrir as ilhas.

Pelo meio, tomei aquele banho terapêutico nas salinas do Pedra de Lume, caí no alto mar, desfilei no Sonjon de Sentonton com um cesto a transbordar de cuscus, mel d’ cana e outras delícias até sentir a cabeça martelar.  Passei dias na praia do Porto Inglês e só tirei a água do mar na ilha de Santiago depois de duas horas de uma linda viagem de barco lado a lado de dezenas de golfinhos.

Fui para São Nicolau onde um furacão chamado Fred nos fez uma visita inesperável. Sobrevivemos!  Desfilei no Carnaval d’Soncent até formar um buracão na sola dos sapatos.  Embriaguei nas mangas da Ribeira das Patas, nas tâmaras do Calhau, e na água de côco do Tarrafal.  Provei o pontche numa folha de bananeira das bandas de Chã de Pedra, caí nos tanques de regadio e senti na pele o gosto das águas das montanhas.

Subi as escadas do Djeu, dancei até o raiar do sol, fiz um recordai e sentei-me na pontinha daquele que se diz ser o ponto mais alto do Monte Verde.  E como toda a aventura tem os seus episódios menos bons, também tive os meus.  Algumas histórias interrompidas, uma infeção, e lesões.  Enfim, coisas da vida.

Mas querem saber o que foi que realmente fez o meu coração vibrar? O que me manteve ali felicíssima dia após dia e me fez acreditar na minha capacidade de começar de novo mesmo quando as coisas não iam exactamente como eu esperava?

Finalmente, o segredo das melhores férias da sua vida!

Instituto Helena Carolina
CREATOR: gd-jpeg v1.0 (using IJG JPEG v62), quality = 82 créditos: Foto@Nuria Natural

Essas carinhas.  Esses sorrisos.  Dedicar o meu tempo às crianças na ilha de Santo Antão.  Quando finalmente dei início aos trabalhos para a criação do Instituto Helena Carolina, em homenagem às minhas duas avós.

De Segunda à Sabádo, mais de 30 crianças entre 9 e 14 anos de idade assistiam as minhas aulas de inglês e vários workshops ao ar livre, começando primeiro debaixo do mesmo pé de tambarina onde cansei de brincar quando era criança, terminando nas praias a voar os papagaios que fazíamos com a ajuda de carpinteiros que nos ofereciam os materiais e de várias pessoas que nunca se hesitaram em nos ajudar com os nossos projectos.

Juntos eu e as crianças resgatámos um cachorrinho que colocaram o nome de Bobby, após terem presenciado a morte dos seus irmãozinhos que sucumbiram à fome e ainda fizeram questão de enterrar com todo o amor e dedicação.  E assim a minha temporada em Cabo Verde nunca mais foi a mesma.

Vivemos aventuras inesquecíveis como a nossa viagem para visitar Logos Hope, a maior biblioteca flutuante do mundo que havia chegado no Porto Grande do Mindelo e onde fomos tratados como reis and rainhas.  O staff do navio não só nos deu um tour especializado, como também levaram todas as nossas crianças para conhecer o convés, convidando-as a provar a farda do comandante.

Nessa época a nossa turma já se encontrava na fase final do desenvolvimento de uma revista feita por elas, desde o conceito à escrita e design.  Um processo para o qual assistiram uma mini-formação de fotografia com os nossos queridos Andrea Brito e Sara Rigamonti, novos amigos recém chegados da Itália que prontamente se ofereceram para partilhar os seus conhecimentos com as crianças.

Também tivemos outros amigos como professores substitutos, o William Silva e a Julia Neves do Porto Novo, que disponibilizaram-se a fazer parte da nossa grande família; todos na base do voluntariado.

A diversão durante a aprendizagem era tanta que me confessavam que aguentavam a fome para regressar para casa somente à tarde.  Fartávamos de comer marmelo molhado em mel de cana, e repetimos várias sessões de cinema lá em casa com pipoca.   Não mais me interessava sair da ilha e assim ficámos bem juntinhos até o meu dia de partida.  Visitavam-me diariamente para provar os batidos de fruta que fazia antes das nossas aulas.

Pediam que tivéssemos aulas aos domingos e feriados também, e eu claro que cumpria.  Não conseguia resistir vê-las debaixo do nosso pé de tambarina a competir umas com as outras nas conjugações de verbos depois de um banho de mar, e após termos perdido a hora do almoço.

Em poucas palavras, foram essas as experiências que me levaram ao sentimento de felicidade máxima e marcaram a minha estadia nas ilhas.  Tudo isso só para vos dizer que definitivamente trabalhar em prol de uma causa em que acreditamos faz toda a diferença na vida do ser humano, melhora o nosso estado de ânimo e nos trás uma alegria inderrubável que nos dá forças para ultrapassar qualquer barreira, deixar a tristeza de lado de uma vez e viver plenamente, feliz para sempre!  Sim, isso existe e eu não estou sozinha em acreditar que sim.

A minha irmã e as suas melhores férias de sempre em Cabo Verde.

Muitos devem lembrar da minha irmã, a R.R., da qual falo sempre aqui no blog.  Ela nasceu nos EUA e conheceu as ilhas quando tinha 13 anos de idade.  Se encantou tanto que durante e depois da Universidade ela regressou para Cabo Verde durante as férias para trabalhar na área de proteção de tartarugas marinhas.

Primeiro ela esteve na ilha do Sal nos acampamentos da organização SOS Tartarugas, logo com a Turtle Foundation na ilha da Boa Vista, e mais recentemente, Maio Biodiversity Foundation na ilha do Maio.

Em todas estas ocasiões enquanto ela arriscava tudo para proteger as tartarugas (a R.R. tem histórias incríveis das chuvas torrenciais nos acampamentos e das amizades puras que ela fez naquelas épocas), ela se apaixonava, se hesitava antes de sair das ilhas e embora sempre acabava por regressar aos EUA após a conclusão dos projectos, a R.R. nunca deixava de sonhar com o seu regresso.

Estas experiências fizeram com que a minha irmã tivesse as melhores férias da sua vida em Cabo Verde.  Marcaram tanto que ela decidiu sair da costa leste americana onde vivíamos e hoje trabalha na proteção de tartarugas na ilha virgem americana de Saint Croix onde ela também assiste aulas de mergulho, pratica fotografia subaquática e aprende tudo sobre a agricultura e raw cooking.  Tudo isso porque ela teve essas experiências maravilhosas de trabalho voluntário nas ilhas de Cabo Verde.

Inspirados?

Se isso não basta para lhe inspirar a fazer as malas, esclareço desde já que nada do que está escrito aqui implica que também precisa de um plano mestre deste tipo para viver as melhores férias da sua vida!

Se esse assunto desperta o seu interesse, se essas histórias lhe inspira, pense bem nas suas especialidades individuais e reflita sobre a possibilidade de partilhar o conhecimento através do voluntariado.

Ou inscreva-se para servir como voluntário com uma dessas organizações de proteção do meio ambiente e da vida marinha nas ilhas.  Para além das mencionadas acima nas quais a minha irmã participou, a Biosfera 1 é outra organização que faz um belo trabalho na área de conservação e monitorização de tartarugas e não só, em Cabo Verde.

Esses trabalhos embora muito especializados, proporcionam experiências que podem muito bem ajudar a adquirir uma perspectiva interessante do que é a vida em Cabo Verde (especialmente para jovens de Cabo Verde que vivem noutros países), mesmo porque sempre incorporam programas educativos e sociais, e isso ajuda a reflectir melhor sobre o tipo de serviço a se dedicar no futuro.

E falando do futuro.

Documentamos aqui todas as nossas experiências na esperança de inspirar você para que viva a melhor versão da sua vida agora e sempre.  Caso ainda não tenha notado, as férias no titulo deste post são apenas um pretexto.

A única coisa que deve fazer para garantir uma temporada de sonhos nas ilhas de Cabo Verde ou em qualquer outra parte do mundo é dedicar ao serviço nobre, dar mais do seu tempo, partilhar os seus conhecimentos com pessoas que estão dispostas a aprender e a ensinar.  Pois a maior fortuna da vida é a dedicação ao trabalho em prol do progresso comum.

E quanto à sua grande dose de aventuras? As tardes de dança ao ar livre, os banhos de mar à noite, as serenatas ao luar no terraço?  As histórias bonitas de amor e de amizade?  Não se preocupem, tudo isso faz parte da viagem e em Cabo Verde tais experiências são tão garantidas que deveriam pensar seriamente em criar um plano de seguros somente para esse tipo de coisa. (risos).

Que as suas próximas férias em Cabo Verde marquem o início do melhor capítulo da sua vida!

Beijos,

Nuria

P.S. Quer umas dicas sobre como preparar os seus familiares antes da sua mudança para as ilhas? Deixe o seu comentário em baixo, pois esse é um tema que também já dominamos aqui deste lado! (Risos).

Fotos: Nuria Chantre, Romina Ramos.

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