Colmeia assinala Dia Internacional e pede resposta célere às famílias e pessoas com autismo

Isabel Moniz fez o pedido em declarações à imprensa durante uma marcha promovida pela Colmeia.
créditos: Cláudia Marques | SAPO

A presidente da Associação de Pais e Amigos de Crianças com Necessidades Especiais (Colmeia) pediu hoje, na cidade da Praia, mais celeridade por parte das autoridades em dar respostas positivas às necessidades das pessoas autistas.

Isabel Moniz fez o pedido em declarações à imprensa durante uma marcha promovida pela Colmeia e parceiros, visando a sensibilização virada ao conhecimento, e para marcar o Dia Internacional de Conscientização de Autismo, assinalado a 02 de Abril.

Para a responsável, em Cabo Verde já se tem notado algum trabalho no sentido de se colmatar os desafios que as famílias enfrentam, mas ainda são “insuficientes”, principalmente nas áreas da saúde, educação e proteção social que devem trabalhar em articulação.

“O que precisamos neste momento, é de alguma celeridade nas respostas, nomeadamente a criação de estruturas e de estratégias que terão que ser acompanhadas de medidas legais para que, realmente, as famílias sintam algo de palpável”, defendeu Isabel Moniz, indicando que a Colmeia tem vindo a trabalhar junto das autoridades para mostrar os constrangimentos existes e como os mesmos podem ser contornados.

As principais dificuldades, segundo Belmira, que participou na marcha com a sua filha autista de 27 anos, tem a ver com a questão da prestação dos cuidados da saúde, revelando estar já “cansada” com o tempo que sempre espera para consultar a filha, não escondendo por outro lado a sua tristeza pelo facto de existirem ainda “pais que escondem” os filhos com autismo.

Aliás, essa opinião foi partilhada também pela Maísa, mãe de uma criança autista de sete anos, indicando que a filha está a estudar 1º ano de escolaridade, mas que todos os dias a leva à escola e assiste as aulas com ela até ao fim, para depois regressarem à casa, sendo que o sustento das duas são os 5.000 escudos de pensão social que recebem, já que não trabalha e o pai não ajuda.

Presente na marcha que partiu do bairro de Ponta D`Água esteve a representante adjunta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Cabo Verde, Ilaria Carnevali, um dos parceiros da Colmeia, que classificou este dia de importante, já que serve para mostrar a condição de autismo que é uma vivência do dia-a-dia para muitas pessoas.

Segundo disse esta responsável, é importante que as sociedades estejam adaptadas para que as pessoas com o autismo, possam de facto, desde a infância, poder ter as condições que lhe permitam depois levar uma vida “mais feliz e mais completa” na sua fase adulta.

Ilaria Carnevali, sublinhou que este ano o Dia Internacional de Conscientização de Autismo tem foco na “capacidade de trabalho” das pessoas com autismo, realçando que já há muita consciencialização e atenção para esta questão e que o Fundo das Nações Unidas para crianças (Unicef) tem trabalhado com o Ministério da Educação para encontrar forma de aumentar e melhorar a atenção à educação das crianças com necessidades especiais no país.

Nesta marcha que percorreu os bairros da zona norte do município da Praia, onde existem maior número de pessoas com deficiência, a Colmeia e os parceiros quiseram levar a mensagem de que as pessoas com ou sem deficiência “não devem ser descriminadas” nas comunidades que, pelo contrário, devem procurar ajudar no que for preciso.

O Dia Internacional da Conscientização do Autismo, é uma data que serve para ajudar a consciencializar a população mundial sobre o autismo, um transtorno no desenvolvimento do cérebro que afecta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo.

Esta data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 18 de dezembro de 2007, com o intuito de alertar as sociedades e governantes sobre esta doença, ajudando a derrubar preconceitos e esclarecer a todos.

Comentários