Casal doa milhares de euros para tratamentos e investigação de cancro pediátrico

Depois de uma angariação de verbas para que o filho com um neuroblastoma pudesse ser submetido a um tratamento nos Estados Unidos e do dinheiro não ter chegado a ser utilizado para esse fim, Susana e David optaram por financiar tratamentos de outras crianças.
créditos: AFP

Para além desse financiamento, Susana e David vão entregar um donativo no valor de 150 mil euros para ser investido na área do cancro pediátrico, mais especificamente num projeto que envolve dois grupos de investigação do i3S/Ipatimup e colaboradores da área da neuro-oncologia pediátrica. A doação será formaliza no dia 5 de julho, às 12 horas, no Auditório Mariano Gago, no i3S/Ipatimup.

"A única exigência do casal era que a verba fosse investida na área da oncologia pediátrica e, nesse sentido, optamos pelos gliomas pediátricos, com um projeto muito próximo da clínica^", adianta José Carlos Machado, líder de um dos grupos de investigação - "Genetic Dynamics of Cancer Cells" - envolvido no projeto. "Mantemos a componente de investigação básica nas áreas da genética e imunologia, mas em colaboração com clínicos da consulta de neuro-oncologia pediátrica e com aplicação direta no tratamento de crianças", acrescenta o investigador.

De facto, sublinha Paula Soares, líder do outro grupo de investigação que integra o projeto – "Cancer Signalling & Metabolism" - o projeto permitirá "identificar a possibilidade das crianças serem submetidas a novos tratamentos dirigidos pelas alterações moleculares das celulas tumorais".

O tratamento do cancro conheceu avanços significativos na última década, mas nos cancros das crianças não se observou o mesmo tipo de avanço. A raridade da maior parte destes cancros, assim como o bom prognóstico associado a alguns deles, ajudam provavelmente a explicar o menor investimento feito nestes casos. Este projeto de investigação propõe-se caracterizar cancros pediátricos do sistema nervoso central (gliomas), relativamente ao tipo de alterações genéticas e ao tipo de resposta imunológica associados a estes cancros.

Veja ainda: 17 sintomas de cancro que os portugueses ignoram

Comentários