Acarinhar comemora 10 anos em prol da inclusão social das crianças com paralisia cerebral

A Associação das Famílias e Amigos de Crianças com Paralisia Cerebral comemorou hoje dez anos de luta em prol da inclusão social, com atividades ligadas às famílias e crianças que sofrem da doença, em São Lourenço dos Órgãos.
créditos: CMarques

Para assinalar a data, a presidente da Acarinhar, Maria Teresa Mascarenhas, e os seus colaboradores, deslocaram-se ao município de São Lourenço dos Órgãos para evolver mais parceiros nessa luta que, segundo a presidente, não é só das famílias mas de todos.

Fazendo uma retrospetiva desses 10 anos de existência, Teresa Mascarenhas disse à imprensa que muita coisa mudou, lembrando que há dez anos, a paralisia cerebral era um assunto que não constava da agenda da sociedade e que as famílias não conheciam a deficiência dos seus filhos e que muitas crianças portadoras da enfermidade viviam escondidas da sociedade.

Com a criação da Acarinhar, disse a responsável, conseguiu-se trazer essas crianças para a sociedade cabo-verdiana, como também se conseguiu fazer com que as famílias passassem a ver os seus filhos com “um outro olhar, ou seja, um olhar não apenas de piedade, mas sim com um olhar de alegria”.

“A maioria das crianças não participava no convívio social com outras crianças. Mas neste momento, as famílias estão à procura de respostas, estão a ver que as suas crianças têm capacidade. Hoje, temos crianças com paralisia cerebral que, graças ao apoio da Acarinhar, conseguiram andar, estão na escola e participam em atividades desportivas”, disse.

Há 10 anos, cerca de 70 por cento (%) das crianças com paralisia cerebral não tinham pensão social, mas de acordo com Teresa Mascarenhas, graças a um “trabalho forte” da Acarinhar, junto do Governo, foi criada uma lei que permite que as crianças com deficiência tenham acesso a pensão social.

Outro ganho conseguido, adiantou, foi a medida tomada pelo Governo em decretar 2014 como ano de paralisia cerebral, para além da associação ter ganho vários prémios a nível nacional e internacional, por ter trazido crianças excluídas da sociedade para o meio social.

Durante esses anos, a responsável sublinhou que nem tudo foi um mar de rosas, uma vez que a falta de recursos, tanto humanos como financeiros e de um espaço adequado para a Acarinhar desenvolver os seus trabalhos, limitou o trabalho desta organização.

A nível da educação, uma das grandes dificuldades enfrentada é a colocação das crianças deficientes na rede do sistema escolar e fazer com que se sintam incluídos neste meio, adiantou.

A reabilitação, defende, tem de ser garantida de forma continuada, e, segundo explicou, não como estipula o atual quadro legal, segundo o qual o Instituto Nacional de Previdência Social deve cobrir apenas 50 sessões de fisioterapia anual.

“Ainda há todo um trabalho a ser feito nessa área para conseguirmos a reabilitação para todas as crianças, ter escolas com condições adequadas e transporte adaptado para transportar as crianças, porque muitas famílias vivem em zonas difíceis e em condições financeiras precárias”, apontou.

A inclusão, especificou, não é uma tarefa “fácil e acabada”, mas, sublinhou, ” um longo caminho a percorrer”, pelo que “a cada dia, a cada passo e a cada pequeno ganho”, traduzido em ver uma criança a sorrir, já é para esta responsável uma “grande vitória”.

Neste sentido, a Acarinhar quer continuar a trabalhar para englobar todo o território nacional, para que a paralisia cerebral deixe de ser um obstáculo ou uma dificuldade para as famílias.

Um dos objetivos a alcançar pela organização junto do Ministério da Educação, Família e Inclusão Social é a criação de um programa de cinco anos de vigilância de paralisia cerebral.

Isto é, logo à nascença, a criança vai ser avaliada e caso lhe for diagnosticada paralisia cerebral, vai-se fazer o cadastrado, com vista a traçar um plano de prevenção, educação e de intervenção mais adequada.

Maria Teresa Mascarenhas promete levar mais alegria e mais esperança às crianças de Cabo Verde, mas para isso pede um “djunta mo” de todos para que juntos possam dar “a essas crianças a resposta que tanto precisam”.

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