ACLCVBG propõe criação de Rede de Combate ao Assédio Sexual no Local de Trabalho

Conforme dados da Organização em todo o mundo, 52 por cento das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio sexual. Em Cabo Verde os dados não existem.

A Associação Cabo-verdiana de Luta contra a Violência Baseada no Género

A Associação Cabo-verdiana de Luta contra a Violência Baseada no Género (ACLCVBG) propôs hoje a criação de uma Rede de Combate ao Assédio Sexual no local de Trabalho em Cabo Verde, que terá por funções combater esse problema.

A proposta foi formalizada hoje pelo presidente da Associação, Vicenta Fernandes, no quadro de um fórum sobre “Assédio sexual no local de trabalho”, realizado em comemoração do “Mês de março, Mês da Mulher” e do Dia da Mulher Cabo-verdiana que é celebrado hoje.

Conforme adiantou, o assédio sexual é uma realidade que preocupa em Cabo Verde, sobretudo, pelo facto de ser crime que não tem sido denunciado devido a vulnerabilidade por que passam muitas mulheres nos seus locais de trabalho.

“Todos os dias temos caso de denúncia de violência com base no género, mas o assédio sexual não é denunciado porque ele acontece num espaço que muitas vezes a vulnerabilidade da mulher a impeça de apresentar a queixa”, disse salientando que esta situação está ligada à precaridade da situação laboral.

Vicenta Fernandes concorda que é necessária uma forte divulgação da lei laboral e, de forma particular, da parte que criminaliza esse ato, mas afirma que as mulheres estão cientes que os seus direitos estão a ser violados.

“Há muitas mulheres que sofrem psicologicamente e que ficam com problemas de saúde e muitas vezes deixam de trabalhar por causa do assédio sexual”, disse defendendo além da divulgação da lei laboral, o empoderamento das mulheres.

Com a realização do fórum de hoje, a ACLCVBG quer despertar a sociedade para o problema, que ainda é considerado um tabu e recolher subsídios para a realização de um estudo sobre a real situação em Cabo Verde, com proposta de medidas para combater esse problema.

Para a rede que se propõe criar foram convidadas várias entidades, desde o Instituto Cabo-verdiano para Igualdade e Equidade de Género (ICEG), a ONU Mulheres, a Polícia Nacional, a Associação das Mulheres Juristas e outras organizações que trabalham com a problemática das mulheres.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) o assédio sexual são atos, insinuações, contactos físicos forçados, convites inconvenientes, que se apresentam como condição para manter o emprego, influência em promoções na carreira, prejuízo no rendimento profissional, humilhação, insulto ou intimidação da vítima.

Conforme dados da Organização em todo o mundo, 52 por cento das mulheres economicamente ativas já sofreram assédio sexual. Em Cabo Verde os dados não existem.

Comentários