Serão os homens e as mulheres realmente o oposto?

Se ainda pensa que os homens vêm de Marte e as mulheres de Vénus desengane-se. Afinal somos todos do mesmo planeta. Ainda que nem sempre pareça…

Enquanto algumas das nossas atitudes diárias são pautadas pelo que se pensa e espera de nós, homens e mulheres, um pouco por todo o mundo, cientistas analisam em pormenor as estruturas do cérebro para avaliar se existem, de facto, diferenças. E, a avaliar pelas mais recentes descobertas, nem tudo é azul ou rosa. É o caso da investigação realizada por uma equipa de neurocientistas da Universidade de Telavive, em Israel.

Após analisar mais de 1.400 imagens, concluiu que o cérebro masculino ou feminino não existe. Estudos como este deitam por terra a (confortável) crença de que homens e mulheres atuam de forma distinta porque têm cérebros opostos.  Se a cabeça não tem culpa, por que agimos e pensamos de forma diferente?

Mosaico cerebral

As diferenças que encontramos entre homens e mulheres na forma de agir, pensar e relacionar-se têm como raiz uma diferença concreta no próprio cérebro, sendo o masculino marcado pela objetividade e agressividade e o feminino pela capacidade de comunicação e empatia. Esta ideia comum tem intrigado neurocientistas como Daphna Joel, investigadora da Universidade de Telavive que, nos últimos seis anos, procura responder à eterna questão «Existirá um cérebro masculino ou feminino?».

No seu estudo mais recente, publicado no final do ano passado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), Daphna Joel analisou as estruturas de 1.400 cérebros de homens e mulheres, comparando a existência de traços masculinos e femininos. O método usado foi a ressonância magnética e, em vez de incidir numa área específica do cérebro, a equipa analisou pela primeira vez o órgão como um todo, considerando a massa cinzenta e branca.

As (muitas) semelhanças que existem

Perante a diversidade no padrão cerebral e a falta de consistência nas características de género identificadas em cada exemplo, concluiu-se que, a nível cerebral, são muitas as semelhanças. «Embora existam diferenças entre homens e mulheres, os cérebros não podem ser divididos em dois tipos distintos», sublinha Daphna Joel.

«Pelo contrário, cada cérebro é um mosaico único de características, algumas são mais comuns em mulheres, outras em homens, se comparados com o sexo oposto, e outras são comuns em ambos», acrescenta. Tal como noutras áreas da natureza humana, o cérebro reflete a diversidade e particularidade de cada um. «Cada cérebro é diferente da mesma forma que cada pessoa é diferente em termos de aptidões ou comportamento», diz.

«De facto, ao analisarmos dados sobre o comportamento e atitudes constatámos o mesmo. A maioria das pessoas possui um mosaico de características, algumas femininas (mais frequentes nas mulheres do que nos homens) e outras masculinas (mais frequentes nos homens do que nas mulheres)», explica. É com naturalidade que a psicóloga clínica Filipa Jardim da Silva encara estes resultados.

«Existem diferenças entre os cérebros de um homem e de uma mulher, mas não os podemos categorizar de uma forma tão rígida, como às vezes ainda existe a tendência de o fazer. Mais do que as diferenças inerentes aos géneros, existe um continuum transversal comum aos seres humanos. Por isso, mais do que divisões entre homens e mulheres, importará cada vez mais um olhar integrado para a pessoa», diz.

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